A piperacilina + tazobactam é um antibiótico de amplo espectro utilizado no tratamento de diversas infecções bacterianas, incluindo quadros hospitalares e situações de maior gravidade.
Pela cobertura contra diferentes bactérias gram-negativas, anaeróbios e Pseudomonas aeruginosa, a associação está entre as opções frequentemente consideradas quando há necessidade de terapia empírica ampla. Seu uso, entretanto, deve ser guiado pelo provável foco infeccioso, perfil microbiológico local e princípios de uso racional de antimicrobianos.
Neste artigo, revise os principais aspectos relacionados à prescrição da piperacilina + tazobactam.
Piperacilina + Tazobactam em 1 minuto
A piperacilina + tazobactam é um antibiótico betalactâmico de amplo espectro indicado para diversas infecções comunitárias e hospitalares.
Classe: penicilina associada a inibidor de betalactamase.
Mecanismo de ação: a piperacilina inibe a síntese da parede celular bacteriana, enquanto o tazobactam protege o antibiótico da ação de diversas betalactamases.
Cobertura de destaque: Pseudomonas aeruginosa, enterobactérias suscetíveis, anaeróbios (incluindo Bacteroides fragilis) e Enterococcus faecalis suscetível.
Principais indicações: pneumonia hospitalar, infecções intra-abdominais, pielonefrite e outras infecções urinárias complicadas, infecções de pele e partes moles, neutropenia febril e infecções de corrente sanguínea.
Administração: exclusivamente por via intravenosa.
Eliminação predominante: renal.
Para que serve a Piperacilina + Tazobactam?
A piperacilina + tazobactam pode ser utilizada no tratamento de diferentes infecções bacterianas causadas por microrganismos suscetíveis.
Entre as principais indicações estão:
- Pneumonia hospitalar e pneumonia associada à ventilação mecânica;
- Pneumonia comunitária com fatores de risco para Pseudomonas aeruginosa ou necessidade de cobertura ampliada;
- Pielonefrite e outras infecções urinárias complicadas;
- Peritonite e outras infecções intra-abdominais;
- Colecistite e colangite;
- Infecções de pele e partes moles;
- Infecção em pé diabético;
- Fasciíte necrosante;
- Gangrena de Fournier;
- Infecções ginecológicas e obstétricas;
- Sepse de foco abdominal ou urinário;
- Infecção de corrente sanguínea;
- Neutropenia febril em adultos e crianças.
A escolha do esquema antimicrobiano deve considerar o foco infeccioso, os fatores de risco para microrganismos resistentes e os dados locais de sensibilidade bacteriana.
Como a Piperacilina + Tazobactam age?
A piperacilina é uma penicilina de amplo espectro que atua por meio da inibição da síntese da parede celular bacteriana.
O tazobactam funciona como um inibidor de betalactamases, reduzindo a degradação da piperacilina por enzimas produzidas por determinadas bactérias. Essa associação amplia a atividade antimicrobiana do medicamento e aumenta sua eficácia contra diversos patógenos gram-negativos, gram-positivos e anaeróbios.
Qual é o espectro de ação da Piperacilina + Tazobactam?
A associação apresenta atividade contra diferentes microrganismos aeróbios e anaeróbios.
Entre os agentes mais frequentemente cobertos estão:
- Pseudomonas aeruginosa;
- Escherichia coli suscetível;
- Klebsiella pneumoniae suscetível;
- Klebsiella oxytoca suscetível;
- Proteus mirabilis;
- Morganella morganii;
- Serratia marcescens;
- Haemophilus influenzae;
- Bacteroides fragilis;
- Streptococcus spp.;
- Enterococcus faecalis suscetível à ampicilina;
- Staphylococcus aureus sensível à meticilina (MSSA).
Por outro lado, a associação não apresenta atividade confiável contra:
- MRSA;
- Enterococcus faecium;
- bactérias produtoras de carbapenemases;
- muitas enterobactérias produtoras de ESBL.
Embora alguns isolados produtores de ESBL possam apresentar sensibilidade in vitro, os carbapenêmicos permanecem o tratamento de escolha para infecções graves, especialmente bacteremias causadas por esses microrganismos.
A cobertura microbiológica deve sempre ser interpretada à luz dos dados locais de sensibilidade e dos resultados de culturas quando disponíveis.
Como prescrever Piperacilina + Tazobactam?
Adultos
Dose habitual
4,5 g IV a cada 6 a 8 horas.
Infecções graves
4,5 g IV a cada 6 horas.
A dose deve ser ajustada conforme a função renal, incluindo pacientes em terapia dialítica.
Administração
Infusão intravenosa durante 20 a 30 minutos.
Em pacientes críticos, muitos protocolos recomendam a infusão estendida (3 a 4 horas), estratégia que aumenta o tempo em que a concentração do antibiótico permanece acima da concentração inibitória mínima (MIC) e pode otimizar sua eficácia, especialmente em infecções por Pseudomonas aeruginosa.
Reconstituição e diluição
Frasco 2,25 g
Reconstituir com 10 mL de SF 0,9% ou SG 5%.
Frasco 4,5 g
Reconstituir com 20 mL de SF 0,9% ou SG 5%.
Após a reconstituição, diluir em 50 a 150 mL de SF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato, respeitando as recomendações de compatibilidade da instituição.
Quais cuidados devem ser avaliados antes da prescrição?
O histórico de alergia a penicilinas, cefalosporinas ou outros betalactâmicos deve ser investigado antes do início do tratamento, pois reações de hipersensibilidade podem contraindicar seu uso ou exigir maior cautela.
A função renal também merece atenção, principalmente em pacientes críticos, idosos, pessoas com doença renal prévia ou em uso de medicamentos potencialmente nefrotóxicos. Nesses casos, pode ser necessário ajustar a dose e monitorar a resposta ao tratamento de forma mais próxima.
Durante tratamentos prolongados, recomenda-se acompanhar hemograma, função renal, função hepática e eletrólitos, especialmente o potássio. Alterações como neutropenia, trombocitopenia, eosinofilia, elevação de transaminases e hipocalemia podem ocorrer.
Como a formulação contém quantidade significativa de sódio, pacientes com insuficiência cardíaca, cirrose ou doença renal avançada podem necessitar de monitorização adicional da carga de sódio.
Também é importante observar sinais de superinfecção, diarreia persistente ou suspeita de colite associada ao Clostridioides difficile.
Manifestações neurológicas, como encefalopatia, mioclonias e convulsões, podem ocorrer principalmente em pacientes com insuficiência renal e doses elevadas.
Sempre que possível, o esquema antimicrobiano deve ser reavaliado após os resultados microbiológicos, permitindo o descalonamento do tratamento conforme o agente identificado e seu perfil de sensibilidade.
Piperacilina + Tazobactam na gestação e lactação
Gestação
Os estudos em animais não demonstraram risco fetal, porém não existem estudos adequados e bem controlados em gestantes.
Seu uso deve ser reservado para situações em que os benefícios esperados justifiquem os potenciais riscos.
Lactação
A piperacilina + tazobactam é excretada em pequenas quantidades no leite materno e, em geral, é considerada compatível com a amamentação. Recomenda-se apenas observar possíveis alterações gastrointestinais ou candidíase no lactente.
Como é o uso da Piperacilina + Tazobactam em pediatria?
O medicamento é aprovado para crianças com mais de 2 meses de idade, conforme a indicação clínica e a bula brasileira.
Infecções intra-abdominais
Entre 2 meses e 12 anos com até 40 kg:
112,5 mg/kg a cada 8 horas (dose total de piperacilina + tazobactam).
Acima de 40 kg:
Esquema equivalente ao utilizado em adultos.
Neutropenia febril
Menos de 50 kg:
80 mg de piperacilina + 10 mg de tazobactam/kg a cada 6 horas.
Acima de 50 kg:
Esquema equivalente ao utilizado em adultos.
Nos casos de neutropenia febril pediátrica, pode ser necessária associação com outro antimicrobiano, como um aminoglicosídeo, de acordo com o perfil microbiológico, gravidade clínica e protocolos institucionais.
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