A ivermectina é uma medicação utilizada no combate a algumas infecções parasitárias, transmitidas por agentes como mosquitos ou ácaros, entre outros. Aqui no Afya Whitebook, você tem à disposição um guia completo sobre o medicamento.
Seu mecanismo de ação consiste na imobilização de parasitas ao induzir paralisia tônica da musculatura. Essa paralisia é mediada pela ativação dos canais de cloro controlados pelo glutamato, presentes apenas em invertebrados.
A consequência desse mecanismo é a hiperpolarização das membranas celulares, paralisia e morte destes parasitas. A ivermectina também pode interagir com canais de cloro mediados por outros neurotransmissores, como o GABA, o acído gama-aminobutírico.
O que é o medicamento?
A ivermectina é um medicamento antiparasitário e se apresenta em comprimidos de 6mg.
Quais são suas indicações de uso?
O medicamento é usado exclusivamente no combate às infecções parasitárias, conforme a listagem abaixo:
- Estrongiloidíase
Uma infecção intestinal associada a dois tipos de nematódeos, que podem não apresentar sintomas ou infecções subclínicas por décadas, ou levar a quadros de síndrome de hiperinfecção e estrongiloidíase disseminada em imunocomprometidos.
- Filariose linfática
São danos linfáticos, edemas crônicos e elefantíase causados por episódios de inflamação e linfedema repetidos por três tipos de nematódeos, costumeiramente transmitidos por insetos vetores hematófagos.
- Ascaridíase
Infecção intestinal causada por dois tipos de nematoides da família Ascaris, que é mais frequente em crianças que moram em regiões tropicais e em países em desenvolvimento.
- Escabiose
Uma dermatozoonose parasitária contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei ou Sarcoptes hominis, caracterizada por prurido intenso na camada córnea após a eclosão dos ovos da fêmea desse parasita.
- Pediculose
Esta dermatose parasitária é causada por ectoparasitas hematófagos, mais conhecidos como piolhos, que causam prurido devido à reação alérgica causada pela saliva do inseto.
- Oncocercose
Infecção cutânea e/ou ocular transmitida pela picada da mosca negra, conhecida como borrachudo, que transmite o nematódeo e induzem a formação de nódulos subcutâneos chamados de oncocercoma.
E quais são seus cuidados e limitações?
A ivermectina não é indicada para aqueles que possuem hipersensibilidade aos componentes.
Outra contraindicação do medicamento é o uso concomitante com fármacos potencializadores da atividade GABA, como barbituratos, benzodiazepínicos, ácido valproico e oxibato de sódio. Ele também não é indicado para crianças abaixo dos 5 anos de idade ou que pesem menos de 15kg.
Existem algumas condições mais específicas nas quais a ivermectina não deve ser administrada ou sua administração deve ser feita com cuidados adicionais. São elas:
- Pacientes com oncodermatite hiperreativa (sowda);
- Uso da ivermectina concomitante com a Varfarina;
- Pacientes que estão infectados com os vermes adultos do gênero Onchocerca volvulus;
- Na filariose, o medicamento age apenas nas formas microfilarianas, não revertendo manifestações clínicas estabelecidas por vermes adultos;
- Na ascaridíase, é necessário o acompanhamento clínico com exames de fezes para confirmar a cura;
- Na pediculose e escabiose, é necessária a reavaliação médica do paciente entre 7 e 14 dias após o tratamento para confirmar eliminação do parasita.
Do consultório à prática médica
Paciente masculino, 34 anos, previamente hígido, procura atendimento com queixa de prurido intenso, predominantemente noturno, há cerca de três semanas. Refere piora progressiva dos sintomas e aparecimento de lesões semelhantes em familiares que residem no mesmo domicílio. Ao exame físico, apresenta pápulas eritematosas e escoriações em região interdigital das mãos, punhos, abdome inferior e genitais.
Após avaliação clínica, o quadro é compatível com escabiose.
Conduta: ivermectina VO em dose única de 200 mcg/kg, com repetição após 7 a 14 dias, associada às medidas de controle ambiental e tratamento simultâneo dos contactantes domiciliares.
Também é importante orientar lavagem de roupas de cama, toalhas e vestimentas utilizadas recentemente, além de reforçar que o prurido pode persistir por alguns dias mesmo após tratamento adequado, sem necessariamente indicar falha terapêutica.