Home / Calculadoras / Escore de Wells para tromboembolismo pulmonar: os principais critérios e interpretação

Escore de Wells para tromboembolismo pulmonar: os principais critérios e interpretação

A suspeita de tromboembolismo pulmonar frequentemente surge em cenários clínicos pouco específicos. Dispneia súbita, dor torácica ou taquicardia podem acompanhar diferentes condições, o que torna a avaliação inicial um desafio nas primeiras horas de atendimento.

É por isso que estimar previamente a probabilidade de TEP ajuda a orientar a sequência da investigação e a definir quais exames devem ser solicitados. O Escore de Wells foi desenvolvido justamente para sistematizar essa etapa da avaliação clínica.

Proposto pelo médico canadense Philip Steven Wells e colaboradores no início dos anos 2000, o escore reúne critérios clínicos associados ao tromboembolismo venoso em um sistema simples de pontuação. Desde então, passou a integrar algoritmos diagnósticos amplamente utilizados na investigação do TEP.

A seguir, veja como o Escore de Wells se insere na avaliação do tromboembolismo pulmonar, quais são seus critérios e como interpretar a pontuação.

Tromboembolismo pulmonar: por que estimar a probabilidade clínica 

O tromboembolismo pulmonar é uma causa relevante de morbidade e mortalidade e frequentemente se manifesta com sinais e sintomas inespecíficos. Dispneia, dor torácica, taquicardia ou síncope podem estar presentes, mas nenhum desses achados isoladamente confirma ou exclui o diagnóstico.

Por esse motivo, a investigação do TEP costuma seguir um raciocínio probabilístico. Antes da solicitação de exames complementares, recomenda-se estimar a probabilidade da doença com base nos achados clínicos disponíveis.

Essa etapa inicial orienta a sequência da investigação e contribui para o uso mais racional de métodos diagnósticos, especialmente exames laboratoriais e de imagem.

O que é o Escore de Wells 

O Escore de Wells é uma regra de predição clínica utilizada para estimar a probabilidade de  tromboembolismo pulmonar a partir de dados obtidos na avaliação inicial do paciente. 

O modelo combina sinais clínicos sugestivos de trombose venosa profunda, antecedentes  tromboembólicos e fatores predisponentes associados ao TEP. Esses elementos foram organizados em um sistema de pontuação simples, aplicável já nas primeiras etapas da investigação. 

A soma  dos pontos permite enquadrar o paciente em categorias de probabilidade, servindo como referência para a condução da investigação diagnóstica. 

Critérios do Escore de Wells 

O Escore de  Wells atribui pontos a achados clínicos e fatores de risco associados ao tromboembolismo pulmonar. A soma desses critérios gera a pontuação final do escore. 

Os critérios avaliados são: 

  • Sinais clínicos de trombose venosa profunda 
  • Diagnóstico alternativo menos provável que TEP 
  • Frequência cardíaca > 100 bpm 
  • Cirurgia recente ou imobilização 
  • História prévia de TVP ou TEP 
  • Hemoptise 
  • Câncer ativo 

Cada critério recebe uma pontuação específica. A soma  dos pontos permite estimar a probabilidade clínica de tromboembolismo pulmonar. 

Como interpretar o Escore de Wells 

A interpretação do Escore de Wells para embolia pulmonar pode ser feita em dois modelos de estratificação de probabilidade clínica.

Estratificação em três categorias 

No modelo original, os pacientes são classificados em três níveis de probabilidade clínica: 

  • < 2 pontos: baixa probabilidade 
  • 2 a 6 pontos: probabilidade intermediária 
  • > 6 pontos: alta probabilidade 

Essa classificação ajuda a posicionar o paciente dentro do espectro de risco clínico e a organizar a sequência da investigação diagnóstica. 

Estratificação em duas categorias 

Na prática clínica, também é comum utilizar uma versão simplificada do escore: 

  • 0 a 4 pontos: TEP pouco provável 
  • > 4 pontos: TEP provável 

Nesse modelo, pacientes com TEP pouco provável podem iniciar a investigação com D- dímero, exame de alta sensibilidade e elevado valor preditivo negativo. 

Já pacientes classificados como TEP provável geralmente seguem diretamente para exames de imagem, como a angiotomografia pulmonar ou, em situações específicas, a cintilografia ventilação-perfusão. 

Essa abordagem integra  a probabilidade clínica estimada pelo escore ao fluxo diagnóstico do tromboembolismo pulmonar. 

É importante destacar que o Escore de  Wells não estabelece o diagnóstico de tromboembolismo pulmonar. Sua função é estimar a probabilidade clínica pré-teste e orientar a escolha dos exames utilizados para confirmação ou exclusão do diagnóstico. 

Calculadora do Escore de Wells no Afya Whitebook 

No Afya Whitebook, o Escore de Wells está disponível em uma calculadora clínica que reúne todos os critérios em uma única interface.  Basta selecionar os achados identificados na avaliação para que a plataforma apresente automaticamente a pontuação final e a respectiva categoria de probabilidade. 

Essa organização permite aplicar o escore diretamente durante o atendimento, sem a necessidade de recorrer a tabelas externas ou realizar cálculos manuais. 

Além das calculadoras clínicas, o Afya  Whitebook reúne diferentes recursos utilizados na rotina médica, incluindo conteúdos de apoio à anamnese, explicações de siglas e epônimos, consulta a uma base extensa  de medicamentos e orientações de conduta para cenários ambulatoriais, hospitalares e de emergência. 

Assim, o médico pode acessar rapidamente informações clínicas e  ferramentas úteis para diferentes etapas da avaliação do paciente. 

Na investigação do tromboembolismo pulmonar, estimar a probabilidade inicial da doença é um passo central. No Afya Whitebook, o Escore de  Wells pode ser calculado diretamente na plataforma, facilitando sua aplicação durante a avaliação do paciente. 

Como você avalia este conteúdo?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Índice do conteúdo