Home / Medicamentos / Entenda quando usar metoclopramida e o que observar na prescrição

Entenda quando usar metoclopramida e o que observar na prescrição

Índice do conteúdo

A metoclopramida é um antiemético amplamente utilizado no controle de náuseas e vômitos e no tratamento de alguns distúrbios da motilidade gastrointestinal. Além do efeito antiemético, apresenta ação pró-cinética, o que explica sua utilidade em situações como gastroparesia e retardo do esvaziamento gástrico. 

Apesar de familiar à maioria dos médicos, seu uso exige atenção ao risco de eventos adversos neurológicos, especialmente reações extrapiramidais e discinesia tardia, além da necessidade de ajustes em populações específicas. 

Cloridrato de Metoclopramida em 1 minuto 

O cloridrato de metoclopramida é um antiemético com propriedades pró-cinéticas utilizado para o tratamento de náuseas, vômitos e alguns distúrbios da motilidade gastrointestinal. 

Classe: antiemético e pró-cinético gastrointestinal. 

Mecanismo de ação: antagoniza receptores dopaminérgicos D2 centrais e periféricos. Em doses mais elevadas também exerce antagonismo sobre receptores serotoninérgicos 5-HT3. No trato gastrointestinal superior, aumenta a atividade colinérgica, favorecendo a motilidade gástrica, acelerando o esvaziamento gástrico e aumentando o tônus do esfíncter esofágico inferior. 

Apresentações: comprimido 10 mg; solução oral 4 mg/mL; solução injetável 5 mg/mL. 

Tipo de receituário: receita simples. 

Principais usos: náuseas e vômitos, gastroparesia diabética, gastroparesia pós-operatória, auxílio em alguns procedimentos diagnósticos do trato gastrointestinal e situações selecionadas de retardo do esvaziamento gástrico. 

Quando considerar o uso da metoclopramida 

A metoclopramida pode ser utilizada em diferentes cenários clínicos, principalmente quando há associação entre náuseas, vômitos e redução da motilidade gastrointestinal. 

Entre as situações mais frequentes estão: 

  • Náuseas e vômitos agudos; 
  • Gastroparesia diabética; 
  • Gastroparesia pós-operatória; 
  • Retardo do esvaziamento gástrico; 
  • Facilitação de alguns exames radiológicos do trato gastrointestinal. 

Embora possa ser utilizada em protocolos específicos de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, atualmente outros antieméticos costumam ser preferidos em muitos cenários devido à maior eficácia e melhor perfil de tolerabilidade. 

Principais cuidados antes da prescrição 

Limitar a duração do tratamento 

O uso prolongado aumenta o risco de eventos neurológicos graves, especialmente discinesia tardia, que pode ser irreversível. 

Por esse motivo, recomenda-se utilizar a menor dose eficaz pelo menor tempo possível. Em muitas indicações agudas, a duração recomendada não ultrapassa cinco dias. 

Monitorar sintomas extrapiramidais 

Os efeitos extrapiramidais podem surgir mesmo após poucas doses, principalmente em crianças, adultos jovens e idosos. 

Devem ser observados: 

  • Distonia aguda; 
  • Torcicolo espasmódico; 
  • Crises oculógiras; 
  • Acatisia; 
  • Parkinsonismo medicamentoso. 

Atenção especial aos idosos 

Idosos apresentam maior risco de sonolência, confusão, sintomas extrapiramidais e discinesia tardia. 

Além disso, ajustes de dose podem ser necessários em pacientes com comprometimento renal ou fragilidade importante. 

Ajuste na insuficiência renal 

A eliminação da metoclopramida ocorre predominantemente pelos rins. Em pacientes com redução significativa da função renal, pode ser necessário reduzir a dose para evitar acúmulo e toxicidade. 

Orientar sobre efeitos no sistema nervoso central 

Sonolência, fadiga, tontura, inquietação e redução do estado de alerta podem ocorrer durante o tratamento. 

Pacientes devem ser orientados quanto ao risco de prejuízo para dirigir veículos ou operar máquinas. 

Situações em que o medicamento deve ser evitado 

A metoclopramida é contraindicada ou deve ser evitada em situações como: 

  • Obstrução gastrointestinal; 
  • Perfuração gastrointestinal; 
  • Hemorragia gastrointestinal; 
  • Feocromocitoma; 
  • Epilepsia; 
  • Doença de Parkinson; 
  • Histórico de discinesia tardia induzida por antagonistas dopaminérgicos. 

Gestação, lactação e pediatria 

A decisão de utilizar metoclopramida durante a gestação deve considerar o contexto clínico e a relação entre benefícios e riscos. 

Durante a lactação, o medicamento é excretado no leite materno e a decisão deve ser individualizada. 

Em pediatria, o uso é limitado pelo maior risco de reações extrapiramidais. O medicamento é contraindicado em menores de um ano. 

Interações medicamentosas relevantes 

Algumas interações merecem atenção: 

  • Antipsicóticos: aumento do risco de sintomas extrapiramidais; 
  • Levodopa e agonistas dopaminérgicos: antagonismo farmacológico; 
  • Depressores do sistema nervoso central: potencialização da sedação; 
  • Medicamentos serotoninérgicos: possível aumento do risco de síndrome serotoninérgica. 

Administração da forma injetável 

Quando administrada por via intravenosa, a infusão deve ser lenta, por pelo menos três minutos, reduzindo o risco de eventos adversos agudos. 

Uso por sonda 

As apresentações orais podem ser administradas por sonda enteral, desde que sejam observadas as recomendações adequadas de preparo, diluição e lavagem para evitar obstrução. 

Dois cenários de prescrição com metoclopramida 

Uma paciente adulta procura atendimento por náuseas e vômitos persistentes após quadro compatível com gastroenterite aguda. Após exclusão de sinais de gravidade e correção das perdas hidroeletrolíticas, a metoclopramida pode ser utilizada para controle sintomático. 

Outro cenário frequente é o paciente idoso no pós-operatório, com plenitude gástrica, náuseas e suspeita de gastroparesia. Nesse contexto, o efeito pró-cinético pode favorecer o esvaziamento gástrico e auxiliar na recuperação funcional do trato gastrointestinal. 

Em ambos os casos, a duração do tratamento deve ser a menor possível, com monitoramento de efeitos neurológicos e avaliação periódica da necessidade de manutenção da terapia. 

O Afya Whitebook como apoio à prescrição 

O Afya Whitebook oferece suporte à tomada de decisão clínica com informações atualizadas sobre medicamentos, doenças, exames, procedimentos, emergências e calculadoras médicas. 

Na consulta da metoclopramida, o profissional encontra apresentações, doses, ajustes para insuficiência renal, contraindicações, administração por sonda, uso em populações especiais e parâmetros de monitoramento, facilitando uma prescrição mais segura e individualizada. 

 

Como você avalia este conteúdo?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Índice do conteúdo