A infecção por Helicobacter pylori é frequentemente assintomática, mas está associada a gastrite crônica, doença ulcerosa péptica, linfoma MALT e câncer gástrico.
Quando presentes, os sintomas são geralmente dispépticos, como dor ou queimação epigástrica, plenitude pós-prandial, saciedade precoce e náuseas. Como essas manifestações são inespecíficas, o diagnóstico não pode ser confirmado apenas pela apresentação clínica.
Por isso, a conduta deve considerar os sintomas, a presença de sinais de alarme, os antecedentes do paciente e a necessidade de investigação endoscópica.
Como contextualizar a infecção por H. pylori?
A avaliação inicial começa pela caracterização dos sintomas e pela pesquisa de sinais de alarme. Entre eles estão:
- Sangramento digestivo;
- Anemia ferropriva;
- Perda de peso não intencional;
- Vômitos persistentes;
- Disfagia ou odinofagia;
- História familiar relevante de câncer gástrico.
Esses achados não são manifestações específicas da infecção. Eles indicam a necessidade de investigar úlcera complicada, neoplasia ou outras doenças estruturais, geralmente por endoscopia digestiva alta.
Na ausência de sinais de alarme, pacientes com dispepsia podem ser avaliados por métodos não invasivos, como teste respiratório da ureia com carbono-13 ou pesquisa de antígeno fecal.
A sorologia não é o método preferencial, pois não diferencia adequadamente infecção ativa de exposição prévia e não deve ser utilizada para confirmar a erradicação.
Perguntas frequentes sobre a infecção por H. pylori
O paciente apresenta indicação de testagem?
A pesquisa está indicada, entre outras situações, em pacientes com doença ulcerosa péptica ativa ou prévia, linfoma MALT, câncer gástrico precoce tratado, dispepsia sem sinais de alarme, anemia ferropriva sem causa esclarecida e condições gástricas pré-neoplásicas.
A testagem antes da cirurgia bariátrica pode fazer parte de protocolos institucionais, mas não é uma indicação universal em todas as diretrizes.
Há sinais de gravidade ou fatores de risco?
Sangramento, anemia ferropriva, perda de peso, disfagia e vômitos persistentes exigem investigação adicional. Nesses casos, o objetivo não é apenas detectar H. pylori, mas afastar doenças estruturais relevantes.
É necessário solicitar endoscopia?
Não para todos. Em pacientes sem sinais de alarme, o teste respiratório ou o antígeno fecal geralmente são suficientes.
A endoscopia deve ser considerada diante de sinais de alarme, maior risco de câncer gástrico, suspeita de úlcera complicada ou persistência dos sintomas.
Como escolher o tratamento?
Todo paciente com infecção ativa confirmada deve receber tratamento de erradicação. O esquema deve considerar alergias, antibióticos utilizados anteriormente, resistência bacteriana local e disponibilidade dos medicamentos.
Quando a sensibilidade antimicrobiana é desconhecida, a diretriz do American College of Gastroenterology de 2024 recomenda a terapia quádrupla com bismuto por 14 dias como opção preferencial.
Esquemas com claritromicina ou levofloxacino devem ser evitados empiricamente quando não há confirmação de sensibilidade.
Quando reavaliar ou mudar a conduta?
A erradicação deve ser confirmada em todos os pacientes, mesmo quando há melhora dos sintomas.
O teste de cura deve ser realizado pelo menos quatro semanas após o término dos antibióticos, com teste respiratório, antígeno fecal ou método baseado em biópsia. O inibidor da bomba de prótons deve ser suspenso por aproximadamente duas semanas antes do exame.
Se o teste permanecer positivo, é necessário revisar a adesão e escolher outro esquema, evitando repetir antibióticos aos quais a bactéria provavelmente já foi exposta. Após falhas repetidas, deve-se considerar teste de sensibilidade.
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