A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar contraída fora do ambiente hospitalar ou diagnosticada nas primeiras 48 horas da internação.
Febre, tosse, expectoração, dispneia, dor torácica e queda do estado geral são manifestações possíveis, mas não específicas. Influenza, Covid-19, bronquite, insuficiência cardíaca, tromboembolismo pulmonar e outras condições podem apresentar sintomas semelhantes.
Por isso, a conduta deve combinar avaliação clínica, confirmação diagnóstica, estratificação de gravidade e análise das comorbidades e dos fatores de risco do paciente.
Como avaliar o paciente com suspeita de PAC?
A avaliação inicial deve incluir sinais vitais, estado mental, hidratação, ausculta pulmonar, frequência respiratória, pressão arterial e saturação de oxigênio.
A radiografia de tórax é recomendada para confirmar infiltrado pulmonar quando estiver disponível, especialmente em pacientes com maior gravidade, dúvida diagnóstica ou indicação de internação. Entretanto, sua realização não deve atrasar a estabilização de pacientes críticos.
Testes para influenza, Covid-19 e outros vírus respiratórios devem ser considerados conforme a circulação epidemiológica, a gravidade, a necessidade de internação e a possibilidade de o resultado modificar o tratamento ou as medidas de isolamento.
Como definir o local de tratamento?
A decisão entre tratamento ambulatorial, internação em enfermaria ou terapia intensiva deve combinar julgamento clínico e escores prognósticos.
O Pneumonia Severity Index (PSI) é recomendado para auxiliar na decisão de internação. O CURB-65 é mais simples e considera:
- Confusão mental;
- Ureia elevada;
- Frequência respiratória igual ou superior a 30 irpm;
- Pressão sistólica abaixo de 90 mmHg ou diastólica igual ou inferior a 60 mmHg;
- Idade igual ou superior a 65 anos.
Na atenção primária, o CRB-65 pode ser utilizado sem a dosagem de ureia.
Esses escores não substituem o julgamento clínico. Hipoxemia, descompensação de comorbidades, incapacidade de utilizar medicação oral e ausência de suporte domiciliar também influenciam a decisão.
Quais sinais indicam maior gravidade?
Os principais sinais de gravidade incluem:
- Hipoxemia ou insuficiência respiratória;
- Hipotensão ou choque;
- Confusão mental;
- Frequência respiratória elevada;
- Infiltrados multilobares;
- Disfunção renal;
- Leucopenia ou trombocitopenia;
- Hipotermia;
- Necessidade de ventilação mecânica;
- Necessidade de vasopressores.
Choque com necessidade de vasopressores ou insuficiência respiratória com indicação de ventilação mecânica são critérios maiores para internação em terapia intensiva.
Alergia a antibióticos e risco de microrganismos resistentes modificam a escolha do tratamento, mas não são, isoladamente, sinais de gravidade.
É necessário solicitar exames complementares?
A escolha depende da gravidade e do local de tratamento.
Em pacientes ambulatoriais com PAC não complicada, hemoculturas, cultura de escarro e pesquisa de antígenos urinários não são indicadas rotineiramente.
Nos casos graves ou hospitalizados, podem ser necessários:
- Hemograma, eletrólitos e função renal;
- Gasometria, conforme o comprometimento respiratório;
- Hemoculturas;
- Cultura de secreção respiratória;
- Testes virais;
- Antígeno urinário para Legionella ou pneumococo em situações selecionadas.
A procalcitonina isolada não deve ser utilizada para decidir se um paciente com PAC clínica e radiologicamente confirmada receberá antibiótico.
Como escolher o tratamento?
O esquema antimicrobiano deve considerar:
- Tratamento ambulatorial ou hospitalar;
- Gravidade da pneumonia;
- Comorbidades;
- Alergias;
- Uso recente de antibióticos;
- Risco de Staphylococcus aureus resistente à meticilina;
- Risco de Pseudomonas aeruginosa;
- Epidemiologia e protocolos locais.
Cobertura empírica para microrganismos resistentes não deve ser utilizada indiscriminadamente. Ela é reservada principalmente para pacientes com isolamento prévio desses agentes ou outros fatores de risco validados localmente.
Quando reavaliar ou mudar a conduta?
Pacientes ambulatoriais devem ser orientados a procurar reavaliação diante de piora da dispneia, confusão, hipotensão, cianose, febre persistente ou dificuldade para ingerir líquidos e medicamentos.
Ausência de melhora após 48 a 72 horas exige revisão de:
- Adesão e adequação do antibiótico;
- Diagnóstico inicial;
- Complicações, como derrame pleural ou abscesso;
- Microrganismos não contemplados;
- Causas não infecciosas.
A persistência inicial de tosse ou cansaço não significa necessariamente resistência bacteriana. A estabilidade clínica deve considerar temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, oxigenação, estado mental e capacidade de alimentação.
Como o Afya Whitebook pode apoiar a decisão?
O Afya Whitebook pode auxiliar na abordagem da pneumonia adquirida na comunidade, permitindo consultar critérios diagnósticos, escores de gravidade, indicações de exames e opções terapêuticas.
Com conteúdos organizados em tópicos e fluxogramas, a plataforma facilita a revisão das etapas desde a avaliação inicial até a alta e o acompanhamento.
Baixe o Afya Whitebook e veja como o aplicativo pode apoiar decisões clínicas mais rápidas e organizadas.