Um paciente procura atendimento por obstrução nasal, secreção purulenta e dor facial há cinco dias. É necessário prescrever antibiótico ou ainda se trata de uma infecção viral?
Essa situação é frequente, mas a resposta depende principalmente do tempo de evolução e do comportamento dos sintomas. A coloração da secreção, isoladamente, não permite diferenciar infecção viral de bacteriana.
Como avaliar a rinossinusite aguda?
O diagnóstico é clínico e pode ser considerado quando há secreção nasal purulenta associada a obstrução nasal, dor, pressão ou plenitude facial, com duração de até quatro semanas.
A maioria dos casos é viral. A rinossinusite viral é mais provável quando os sintomas estão presentes há menos de dez dias e apresentam melhora progressiva.
A suspeita de rinossinusite aguda bacteriana aumenta diante de um dos seguintes padrões:
- Persistência dos sintomas por pelo menos dez dias, sem melhora;
- Piora após uma melhora inicial, conhecida como dupla piora;
- Febre igual ou superior a 39 °C associada a secreção purulenta ou dor facial por três a quatro dias consecutivos no início do quadro.
Se os sintomas não forem compatíveis, devem ser considerados diagnósticos diferenciais, como rinofaringite viral, rinite alérgica, cefaleias primárias, infecção odontogênica e disfunção temporomandibular.
Quais sinais de gravidade mudam a abordagem?
Os principais sinais sugestivos de complicação orbitária ou intracraniana incluem:
- Edema ou hiperemia periorbitária importante;
- Proptose;
- Dor ou limitação dos movimentos oculares;
- Diplopia;
- Redução da acuidade visual;
- Alteração pupilar;
- Cefaleia intensa ou progressiva;
- Meningismo;
- Alteração do nível de consciência;
- Déficit neurológico focal;
- Convulsão;
- Comprometimento sistêmico importante.
Esses pacientes precisam de avaliação urgente, exames de imagem e acompanhamento especializado. Internação e antibioticoterapia intravenosa podem ser necessárias.
Desvio de septo, hipertrofia adenoideana, pólipos e alterações anatômicas podem predispor a episódios recorrentes, mas não são sinais de gravidade de um episódio agudo.
É necessário solicitar exames complementares?
Não nos casos típicos e não complicados. A distinção entre etiologia viral e bacteriana é clínica, baseada principalmente na duração e na evolução dos sintomas.
Radiografia dos seios da face não é recomendada rotineiramente. Tomografia ou ressonância devem ser reservadas para suspeita de complicação, diagnóstico alternativo ou avaliação de doença recorrente ou crônica.
Culturas também não são necessárias na abordagem inicial. Elas podem ser consideradas em casos graves, complicados ou refratários, preferencialmente com coleta direta do seio ou por endoscopia.
Como organizar o tratamento?
O tratamento sintomático pode incluir:
- Analgésicos;
- Lavagem nasal com solução salina;
- Corticosteroide intranasal em situações selecionadas.
Na rinossinusite viral, antibióticos não apresentam benefício.
Em adultos com rinossinusite bacteriana não complicada, pode-se optar por observação inicial ou antibioticoterapia, desde que seja possível garantir acompanhamento. Quando indicado, amoxicilina com ou sem clavulanato é uma das opções de primeira linha, considerando alergias, gravidade, uso recente de antibióticos e resistência local.
Quando reavaliar ou mudar a conduta?
A reavaliação é necessária quando houver:
- Piora em qualquer momento;
- Ausência de melhora durante a observação;
- Falha do tratamento inicial;
- Surgimento de sinais orbitários ou neurológicos;
- Episódios recorrentes;
- Persistência dos sintomas além do período esperado;
- Dúvida sobre o diagnóstico.
Diante de falha terapêutica, é necessário confirmar o diagnóstico, verificar adesão, excluir complicações e reconsiderar outras causas. A simples persistência da secreção nasal não comprova resistência bacteriana.
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