Você já teve que lidar com um caso de Paralisia de Bell? Uma Paralisia facial é o tipo de quadro que chama atenção logo de cara, literalmente. Quando um paciente chega com desvio da boca, dificuldade para fechar o olho ou mexer a testa de um lado do rosto, é normal que a primeira reação seja preocupação. E com razão.
A Paralisia de Bell é uma das principais causas desse tipo de paralisia periférica, mas precisa ser bem avaliada para não passar batido algo mais sério.
Neste conteúdo, você vai entender o que é a Paralisia de Bell, como ela se manifesta, como diferenciá-la de outras condições neurológicas e quais condutas clínicas tomar. Tudo de forma direta, com foco na prática e no que realmente importa para conduzir o atendimento com segurança clínica.
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O que é Paralisia de Bell e por que ela acontece?
Imagine que, de um dia para o outro, metade do rosto de alguém simplesmente para de se mexer. A pessoa tenta sorrir, mas só um lado responde. Tenta piscar, mas a pálpebra não obedece. A cena assusta, e a primeira pergunta costuma ser: “Será que é um AVC?”
Na maioria das vezes, não é. A causa mais comum desse tipo de paralisia facial súbita é a Paralisia de Bell. Trata-se de uma condição neurológica que afeta o nervo facial (VII par craniano), responsável por controlar os músculos da mímica facial, além de funções como paladar, lacrimejamento e parte da sensibilidade do ouvido.
A Paralisia de Bell é classificada como periférica e idiopática, ou seja, sem uma causa evidente. Ainda assim, há uma suspeita forte de que a reativação do vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1) no gânglio geniculado esteja por trás do processo. Essa inflamação acaba comprimindo o nervo facial no canal ósseo por onde ele passa, afetando seu funcionamento.
O quadro pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens e crianças. Entre os gatilhos que aumentam a vulnerabilidade, o estresse emocional aparece com frequência, já que pode impactar diretamente o sistema imune e favorecer a reativação viral. Outros fatores incluem trauma local, exposição ao frio, infecções respiratórias, radiação UV e imunossupressão.
Mesmo sendo um diagnóstico de exclusão, é uma condição relativamente frequente no atendimento clínico. Saber reconhecê-la, avaliar bem o paciente e diferenciar de causas mais graves é um passo fundamental para oferecer um cuidado seguro e com mais tranquilidade.
Sintomas da Paralisia de Bell: como identificar e o que observar no exame
O quadro clínico da Paralisia de Bell costuma ser bem marcante. O paciente relata que, de forma súbita, perdeu os movimentos de um lado do rosto. Não consegue fechar o olho direito, sorrir normalmente ou levantar a sobrancelha. Quem convive com ele geralmente percebe logo a assimetria facial, e isso é o que costuma motivar a busca por atendimento.
A paralisia sempre ocorre do lado ipsilateral à lesão no nervo facial e afeta todos os músculos da hemiface. Isso já ajuda a diferenciar de causas centrais, como o AVC, que normalmente poupam a região da testa.
Outros sintomas que podem aparecer e ajudam no raciocínio clínico:
- Dor retroauricular leve, que pode surgir dias antes da paralisi
- Diminuição do paladar nos dois terços anteriores da língu
- Diminuição da produção de lágrimas no lado afetado (xeroftalmia
- Hiperacusia (sensibilidade aumentada a sons
- Sensação de peso ou dormência no rosto, mesmo sem déficit sensitivo real
Na avaliação física, peça ao paciente que sorria e feche os olhos com força. Se for Paralisia de Bell, ele terá dificuldade em realizar esses movimentos do lado afetado, incluindo a testa, o que reforça que se trata de uma paralisia periférica. A ausência de outros sinais neurológicos também reforça essa hipótese.
Diagnósticos diferenciais: o que precisa ser descartado no atendimento inicial
Diagnóstico diferencial é a etapa em que se avaliam outras possíveis causas para o quadro clínico apresentado, antes de fechar uma hipótese. No caso da Paralisia de Bell, isso é indispensável, já que ela só pode ser considerada após excluir causas mais graves ou específicas de paralisia facial periférica.
Principais condições a investigar:
- Síndrome de Ramsay Hunt – paralisia periférica com dor intensa e vesículas no pavilhão auricular ou canal auditivo extern
- Otite média aguda – verificar sinais inflamatórios na otoscopia, principalmente em criança
- Tumores – como neoplasias da parótida ou leucemias. Suspeitar em casos progressivos, sem melhora ou com sinais sistêmico
- Doença de Lyme – considerar se houver histórico epidemiológico compatíve
- Miastenia gravis – pensar em quadros bilaterais ou com flutuação dos sintoma
- HIV, sarcoidose, colesteatoma – levantar suspeita se houver sinais associados ou padrão atípico
A inspeção da pele (vesículas, púrpura, palidez), a otoscopia e a palpação de parótida, linfonodos, fígado e baço ajudam a direcionar. Exames de imagem só entram se o quadro fugir do esperado ou não evoluir com o tratamento.
Escala de House-Brackmann no Afya Whitebook: como avaliar a gravidade da paralisia facial
A Escala de House-Brackmann é usada para classificar o grau de disfunção do nervo facial em pacientes com paralisia periférica. Vai do grau I (função normal) ao grau VI (paralisia total), e ajuda a estimar o prognóstico e acompanhar a evolução clínica.
Veja como funciona:
- Grau I – Normal: movimentos faciais preservados, sem assimetria ou fraquez
- Grau II – Disfunção leve: fraqueza leve visível apenas com atenção. Sorriso quase simétrico, fechamento ocular complet
- Grau III – Disfunção moderada: assimetria mais evidente, mas não desfigurante. Sincinesias leves podem aparecer. Fronte com movimento reduzid
- Grau IV – Disfunção moderadamente grave: assimetria marcante. Fronte sem movimento, olho com fechamento incompleto, boca com fraqueza evident
- Grau V – Disfunção grave: movimento facial muito reduzido. Olho não fecha e sorriso é mínimo. Assimetria mesmo em repous
- Grau VI – Paralisia total: ausência completa de movimento em toda a hemiface afetada
A escala pode ser usada no momento do diagnóstico e durante o acompanhamento para medir a resposta ao tratamento. E no Afya Whitebook, você acessa rapidamente todos os critérios de cada grau, com orientações práticas para aplicar no dia a dia.
Tratamento da Paralisia de Bell: o que prescrever e quando iniciar
O tratamento da Paralisia de Bell deve começar o quanto antes, idealmente nas primeiras 72 horas após o início dos sintomas. O objetivo é reduzir a inflamação no nervo facial e minimizar o risco de sequelas.
Corticoides orais são a base do tratamento. A recomendação mais comum é:
- Prednisona ou Prednisolona: 2 mg/kg/dia por 5 dias, seguidos de 1 mg/kg/dia por mais 5 dias
- Dose máxima: 60 a 80 mg/dia
Em casos mais graves (grau IV ou superior na Escala de House-Brackmann), pode-se considerar o uso combinado com antivirais, como:
- Valaciclovir: 20 mg/kg/dose, 3x/dia por 7 dias
- Aciclovir: 10 mg/kg/dose EV a cada 8h, por 7 dias (em cenários hospitalares)
A monoterapia com antiviral, sem corticoide, não deve ser usada. Em crianças, a eficácia dos antivirais ainda é incerta, mas o uso combinado pode ser considerado em casos mais graves.
Proteção ocular é indispensável quando há dificuldade de fechar a pálpebra. Isso evita lesões na córnea. A prescrição pode incluir:
- Colírios lubrificantes sem conservantes (ex: carmelose sódica, hialuronato de sódio)
- Pomadas oftalmológicas à noite
- Curativo oclusivo se necessário
Fisioterapia facial pode ser considerada em casos com recuperação parcial após algumas semanas. Apesar de a eficácia ainda ser discutida, pode trazer benefícios em determinados cenários.
Algumas evidências recentes também sugerem que fatores como os níveis de vitamina D podem estar associados à gravidade da paralisia facial. Uma revisão sistemática indicou que a deficiência de vitamina D pode estar relacionada a quadros mais severos da Paralisia de Bell. Leia mais sobre esse estudo no Portal da Afya.
No Afya Whitebook, você encontra os esquemas de prescrição com posologias detalhadas, além das opções de colírios e orientações de seguimento em diferentes faixas etárias.
Conclusão: o que você precisa saber sobre Paralisia de Bell
A Paralisia de Bell é uma das causas mais comuns de paralisia facial periférica. O quadro costuma ser súbito, assustar o paciente e exigir uma conduta rápida. Saber reconhecer os sinais típicos, excluir diagnósticos graves e iniciar o tratamento certo reduz o risco de sequelas e encurta o tempo de recuperação.
O Afya Whitebook oferece acesso rápido às principais condutas, escalas de avaliação e orientações de prescrição, tudo de forma prática e objetiva. Segurança no atendimento começa com preparo. E quando você tem clareza sobre o que fazer, transmite isso também para o paciente.