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CAM-ICU: como identificar delirium na UTI 

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Delirium UTI

Índice do conteúdo

CAM-ICU é uma das principais ferramentas para identificar delirium na UTI, especialmente em pacientes críticos com comunicação limitada ou sob ventilação mecânica. Ainda assim, alterações de comportamento ou confusão mental costumam ser atribuídas apenas à sedação ou à gravidade clínica, o que atrasa o reconhecimento do quadro. 

O delirium é comum em pacientes críticos e se associa a piores desfechos, como maior tempo de internação, aumento de complicações e prejuízo cognitivo após a alta. Mesmo assim, segue sendo subdiagnosticado, principalmente nas apresentações hipoativas, em que não há agitação evidente. 

Para reduzir esse risco, a avaliação estruturada faz diferença. O CAM-ICU permite identificar delirium de forma objetiva e reprodutível, inclusive em pacientes intubados ou com comunicação limitada. 

Na prática do plantão, ferramentas de apoio como o Afya Whitebook ajudam a consultar rapidamente os critérios da escala, revisar pontos-chave da aplicação e manter essa avaliação integrada à rotina da UTI com mais consistência. 

O que é delirium e por que ele passa despercebido na UTI 

Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada por início agudo, curso flutuante e alteração da atenção e do nível de consciência. O quadro pode comprometer funções como atenção, percepção, pensamento, memória e o padrão sono-vigília. 

Na UTI, o delirium costuma resultar da combinação de múltiplos fatores, como infecções, distúrbios metabólicos, uso de sedativos, dor mal controlada e privação do sono. Essa sobreposição de condições aumenta o risco de alterações cognitivas transitórias ou persistentes. 

Apesar de frequente, o delirium ainda é subdiagnosticado. Parte disso se deve à semelhança com outras condições comuns no ambiente intensivo, como sedação residual, encefalopatia metabólica e efeitos adversos de medicamentos. 

A apresentação clínica também contribui para esse atraso. No delirium hipoativo, o paciente pode parecer apenas sonolento, apático ou pouco responsivo, sem sinais claros de agitação. 

Sem instrumentos padronizados, alterações sutis do estado mental tendem a ser interpretadas como esperadas no contexto da UTI, o que reforça a necessidade de avaliação sistemática. 

O que é o CAM-ICU e quando ele deve ser utilizado 

O CAM-ICU (Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit) é uma ferramenta desenvolvida para rastrear delirium em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva, incluindo aqueles em ventilação mecânica ou com comunicação verbal limitada. 

A escala deve ser aplicada em pacientes com nível de sedação adequado, avaliado pela escala de RASS. Na prática, o CAM-ICU é indicado quando o paciente apresenta RASS ≥ -3, o que garante responsividade mínima para a avaliação cognitiva. 

A aplicação é seriada e integrada à rotina assistencial da UTI, geralmente a cada 8 horas. Esse acompanhamento permite identificar o delirium precocemente e monitorar sua evolução ao longo do tempo. 

Por ser validado, reprodutível e de rápida execução, o CAM-ICU é um recurso relevante no manejo do paciente crítico e no suporte à tomada de decisão clínica. 

Critérios avaliados pelo CAM-ICU 

Os critérios avaliados pelo CAM-ICU são baseados em quatro itens principais: 

  1. Início agudo e/ou curso flutuante: Alterações no estado mental que surgem de forma súbita ou apresentam variações ao longo do dia. 
  2. Desatenção: Dificuldade em manter a atenção ou se concentrar, como se distrair facilmente ou não conseguir acompanhar o que está sendo dito. 
  3. Pensamento desorganizado: Conversa irrelevante, fluxo de ideias confuso ou ilógico, ou mudanças imprevisíveis de assunto. 
  4. Alteração do nível de consciência: Pode variar entre hiperalerta, letargia, estupor ou coma. 

Para o diagnóstico de delirium pelo CAM-ICU, é necessário que os itens 1 e 2 estejam presentes, além de pelo menos um dos itens 3 ou 4. 

Como aplicar o CAM-ICU passo a passo na rotina da UTI  

A aplicação do CAM-ICU segue uma sequência lógica e rápida, o que permite incorporá-lo à rotina da UTI sem comprometer o fluxo assistencial. O primeiro passo é avaliar o nível de sedação do paciente por meio da escala de RASS. 

Com sedação adequada, inicia-se a avaliação do início agudo ou curso flutuante do estado mental, comparando o estado atual com registros prévios, observações da equipe e evolução clínica recente. 

Em seguida, avalia-se a atenção, um dos pontos centrais da escala. Testes simples ajudam a identificar dificuldade em manter o foco, mesmo quando o paciente aparenta estar desperto. 

O próximo passo é a avaliação do pensamento desorganizado, por meio de perguntas objetivas ou comandos simples. Perguntas como “isso é um martelo ou uma tesoura?” ou pedidos em sequência, como “mostre dois dedos e depois feche os olhos”, ajudam a identificar respostas incoerentes ou dificuldade em manter a lógica, sugerindo alteração nesse critério. 

Por fim, observa-se o nível de consciência, identificando se o paciente está alerta, hiperalerta ou com algum grau de rebaixamento. Essa análise complementa os critérios anteriores e ajuda na diferenciação com outros estados neurológicos. 

O Afya Whitebook permite acessar rapidamente os critérios do CAM-ICU, revisar pontos-chave da aplicação e conferir a interpretação correta no momento da avaliação, o que ajuda a reduzir dúvidas, padronizar condutas entre a equipe e manter a avaliação cognitiva integrada à rotina do plantão, mesmo em cenários de alta demanda assistencial. 

Como interpretar o resultado do CAM-ICU 

Um resultado positivo no CAM-ICU indica a presença de alterações cognitivas significativas, como desatenção, pensamento desorganizado e/ou alteração do nível de consciência, compatíveis com delirium. 

O rastreamento deve ser realizado de forma periódica, geralmente a cada 8 horas, em pacientes com nível de sedação adequado. A avaliação seriada permite acompanhar a evolução do quadro e identificar flutuações ao longo do tempo. 

Diante de um CAM-ICU positivo, a conduta envolve investigar fatores associados ao delirium, como condições clínicas subjacentes, uso de medicamentos e fatores ambientais presentes na UTI, integrando o resultado da escala ao manejo global do paciente crítico. 

CAM-ICU na formação médica e na prática clínica diária 

Na UTI, o delirium não é um evento isolado, mas um processo dinâmico que exige observação contínua. O CAM-ICU ajuda justamente a transformar essa observação em algo estruturado, mensurável e comparável ao longo do tempo. 

Para quem está em formação ou já atua na assistência, o uso consistente da escala contribui para refinar o olhar clínico. Com a repetição, a avaliação do estado mental deixa de ser um item subjetivo do exame físico e passa a integrar o acompanhamento evolutivo do paciente crítico. 

Nesse cenário, o Afya Whitebook funciona como um ponto de apoio prático para consultas rápidas durante o plantão, ajudando a confirmar critérios, revisar interpretações e sustentar decisões clínicas sem interromper o fluxo de trabalho. 

A incorporação do CAM-ICU à rotina não depende de complexidade, mas de consistência. Quando bem utilizado, ele fortalece a avaliação cognitiva na UTI e contribui para um cuidado mais atento, organizado e alinhado à prática clínica baseada em evidências. 

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