O Escore de Alvarado ganhou espaço no dia a dia clínico porque a apendicite continua entre as causas mais comuns de abdome agudo no Brasil. Entre 2020 e 2022, o país registrou cerca de 353.245 internações por doenças do apêndice em urgência, o que mostra o quanto esse quadro pesa na rotina dos serviços de saúde.
Esse volume recai sobretudo sobre adultos jovens entre 20 e 29 anos, com maior número de casos no sexo masculino, como aponta um estudo publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde.
Esses dados mostram um cenário que todo médico reconhece: pacientes jovens chegando com dor abdominal recorrente, muitas vezes com exame físico difícil e histórico pouco claro.
É justamente aí que o Escore de Alvarado faz diferença, porque ajuda a transformar sinais e sintomas dispersos em uma avaliação objetiva. O resultado é uma triagem mais segura, rápida e alinhada com a pressão do atendimento.
Se quiser aprofundar a avaliação de dor abdominal com mais segurança, conheça o conteúdo de apendicite do Afya Whitebook. Lá você encontra critérios, fluxos e ferramentas que ajudam a orientar a conduta mesmo nos casos menos óbvios.
O que é o Escore de Alvarado
O Escore de Alvarado é uma ferramenta clínica criada para estimar a probabilidade de apendicite aguda em pacientes com dor abdominal. Ele reúne sinais, sintomas e achados laboratoriais que, somados, ajudam a orientar a suspeita diagnóstica e a conduta.
A versão mais usada hoje é o Escore de Alvarado Modificado, que totaliza 9 pontos e considera os seguintes critérios:
Sintomas
- Anorexia: 1 ponto
- Náusea ou vômitos: 1 ponto
- Dor migratória típica: 1 ponto
Sinais
- Dor em fossa ilíaca direita: 2 pontos
- Defesa à descompressão: 1 ponto
- Temperatura acima de 37,5 °C: 1 ponto
Achado laboratorial
- Leucocitose maior que 10.000/mm³: 2 pontos
O escore original incluía também o desvio à esquerda como mais 1 ponto, chegando a 10, mas esse item não faz parte da versão modificada adotada na prática. A interpretação costuma seguir três faixas simples:
- 0 a 3 pontos: risco baixo. Apendicite rara, com probabilidade aproximada de 3,7% em adultos. O ideal é orientar retorno se houver pior.
- 4 a 6 pontos: risco moderado. A probabilidade sobe para cerca de 45% em adultos. O paciente merece observação e reavaliações seriadas.
- 7 pontos ou mais: risco alto. A probabilidade chega a 87% em adultos. Em homens, o caminho usual é apendicectomia, enquanto em mulheres não gestantes muitas vezes se indica laparoscopia diagnóstica ou TC de abdome.
Apesar de ser uma ferramenta útil e sensível, especialmente em homens, o Alvarado tem limitações. Ele não considera comorbidades, imunossupressão ou apresentações atípicas que podem confundir o quadro clínico. Ainda assim, como apoio inicial, dá clareza ao raciocínio e ajuda a decidir com mais segurança quando investigar, observar ou intervir.
Quando o escore de alvarado é indicado?
Se você já se perguntou em quais situações vale a pena usar o Escore de Alvarado, saiba que essa dúvida é comum. A ferramenta não foi feita para complicar o atendimento, e sim para ajudar quando o quadro não está tão claro quanto deveria.
Quando a dor abdominal levanta suspeita, mas você ainda não tem certeza
No início do atendimento, aquele paciente com dor no quadrante inferior direito pode parecer típico ou completamente atípico. Nessas horas, o escore organiza as informações que você já tem e ajuda a entender se o risco é baixo, moderado ou alto.
Quando o quadro parece incompleto
Se você já pensou “pode ser apendicite, mas algo não bate”, o Alvarado entra bem aqui. Ele dá um ponto de equilíbrio entre impressão clínica e critérios objetivos, principalmente quando a evolução não é tão clássica.
Quando você precisa decidir se observa, investiga ou encaminha
Quem está no plantão sabe como é ter que escolher rapidamente entre pedir exames, manter em observação ou chamar o cirurgião. O escore funciona como um apoio para justificar essa escolha de forma clara e segura.
Quando o serviço tem recursos limitados
Se a tomografia não está disponível ou vai demorar, o Alvarado ajuda a priorizar o que fazer primeiro sem perder a segurança da condução.
No fim das contas, o escore não substitui o exame físico nem o seu julgamento clínico, mas dá uma estrutura para aquele momento em que o caso pode seguir para vários caminhos e você precisa de um norte rápido e confiável.
Como aplicar o escore na prática
Se você já sabe quando usar o Escore de Alvarado, o próximo passo é colocar ele para funcionar no atendimento sem atrapalhar o fluxo. O processo é rápido e pode ser feito enquanto você conversa e examina o paciente.
- Comece pelos sintomas: Pergunte sobre anorexia, náuseas, vômitos e dor migratória. São respostas simples, mas que já ajudam a formar a base da pontuação.
- Passe para o exame físico: A dor localizada em fossa ilíaca direita e a defesa à descompressão costumam ser decisivas. Toque leve, toque profundo e compare os quadrantes. Pequenos detalhes mudam a pontuação.
- Olhe a temperatura: Febre acima de 37,5 °C soma pontos e, mesmo sendo um dado simples, às vezes passa batido no início do atendimento.
- Complete com o hemograma: A leucocitose costuma fechar a avaliação objetiva. Se o hemograma já saiu, ótimo. Se não, você pode antecipar a decisão sobre observação ou exames de imagem assim que o resultado chegar.
- Some, classifique e pense na conduta: Ao final, você já tem uma pontuação que guia se o paciente deve ser liberado com orientações, observado por algumas horas ou encaminhado para avaliação cirúrgica.
Usar o escore dessa forma deixa a decisão mais clara para você e para a equipe, principalmente quando o quadro não é típico ou quando o serviço está cheio e você precisa justificar as escolhas de maneira objetiva.
Como o Afya Whitebook ajuda no uso do Escore de Alvarado
Durante o atendimento, o que realmente faz diferença é ter, no mesmo lugar, tudo o que ajuda a confirmar ou descartar apendicite com segurança. No Afya Whitebook, além do cálculo automático do Escore de Alvarado Modificado, você encontra um conteúdo clínico completo que apoia toda a linha de raciocínio.
Dentro da página de apendicite aguda, o Whitebook traz:
- Definição clara do quadro para alinhar conceitos, útil principalmente para quem está no internato ou R1
- Fisiopatologia e epidemiologia, que ajudam a entender por que o quadro aparece com tanta frequência em adultos jovens
- Apresentação clínica detalhada, incluindo sinais típicos e atípicos, algo essencial quando o paciente não mostra o “clássico”
- Abordagem diagnóstica com passos objetivos para organizar a triagem
- Escore de Alvarado Modificado e Escore AIR, cada um com critérios, pontuação e interpretação
- Classificação da apendicite, incluindo formas complicadas.
- Diagnóstico diferencial, algo que sempre pesa quando a dor abdominal não é tão clara assim
- Complicações e como reconhecê-las cedo
- Abordagem terapêutica com indicações cirúrgicas e manejo clínico
- Técnicas cirúrgicas, útil para quem está na cirurgia ou acompanhando o pós-operatório
- Algoritmo de decisão, que ajuda a visualizar o fluxo de conduta
- Abordagem na gestante, um dos cenários em que a suspeita de apendicite mais gera insegurança
- Guia de prescrição, incluindo antibióticos mais usados
- Atlas de radiologia, que apoia a leitura de USG e TC quando a imagem entra no jogo.
Ter tudo isso organizado evita que você precise buscar informação fragmentada ou revisar condutas de memória. E, com a calculadora integrada, você valida rapidamente a pontuação, interpreta o risco e segue com a conduta mais segura para aquele paciente.
Para facilitar seu dia a dia e aplicar o Escore de Alvarado com agilidade, cadastre-se no Afya Whitebook. Você acessa calculadoras, algoritmos e conteúdos clínicos que tornam o atendimento mais seguro e organizado, especialmente nos plantões mais cheios.
FAQ: dúvidas frequentes sobre o uso do escore de alvarado
O Escore de Alvarado substitui o exame de imagem?
Não substitui. Ele ajuda você a estimar o risco e organizar a conduta, mas não tem força para fechar diagnóstico sozinho. Se o quadro continua duvidoso, se a dor está piorando ou se há qualquer sinal de gravidade, a imagem entra como um complemento importante, especialmente a tomografia quando disponível.
Em quais pacientes devo ter mais cautela ao usar o escore?
Idosos, gestantes, imunossuprimidos e pacientes que não fazem um quadro típico merecem mais atenção. Nessas pessoas, a febre pode não aparecer, leucocitose pode ser discreta e a dor pode ser pouco localizada. Nessas situações, a pontuação pode enganar e seu exame físico ganha ainda mais peso.
O escore funciona bem em crianças?
Ele funciona, mas com menor precisão. Crianças podem ter evolução rápida, sinais menos típicos e dificuldade de descrever dor migratória. Se a pontuação cair na faixa intermediária, a observação mais prolongada pode ser mais segura que se basear apenas no escore.
E se o paciente tiver 4 a 6 pontos e eu continuar inseguro?
Essa é a zona em que o escore mais levanta dúvidas. Nesses casos, vale reavaliar, repetir exame físico, aguardar o hemograma ou partir para imagem se houver disponibilidade. O escore não precisa ser o único fator de decisão; ele é só uma parte da avaliação.
Por que usar o escore se eu já “sei reconhecer” uma apendicite?
Porque mesmo quem tem experiência encontra quadros enganosos. O escore ajuda a não deixar passar detalhes simples, organiza o raciocínio em dias mais atribulados e facilita justificar condutas para a equipe, para o plantonista seguinte e para o cirurgião. É um ponto de apoio que não atrapalha e só soma em segurança.
Posso usar o escore para liberar o paciente com dor abdominal?
Pode, desde que ele caia na faixa de baixo risco, esteja clinicamente bem e seja orientado a retornar se houver piora. O escore não descarta apendicite sozinho, mas ajuda a identificar quem pode ir para casa com segurança e vigilância.