Você já conhece o GINA, a Global Initiative for Asthma, que orienta grande parte das decisões sobre o manejo da asma no dia a dia clínico. É nele que muitos profissionais de saúde se apoiam para avaliar sintomas, ajustar o tratamento e organizar o seguimento dos pacientes.
Em 2025, o GINA atualizou a classificação do controle da asma. Não se trata de uma mudança de modelo, mas de ajustes relevantes na leitura clínica, com maior ênfase no risco futuro, no histórico de exacerbações e em fatores como adesão e técnica inalatória. Ao longo deste texto, você verá o que mudou e como aplicar essa classificação de forma mais precisa na rotina assistencial.
O que significa controle da asma segundo o GINA
Segundo o GINA, avaliar o controle da asma vai além de quantificar sintomas. A proposta é entender o grau de estabilidade da doença no cotidiano do paciente e estimar o risco de perda de controle ao longo do tempo.
Na prática, essa avaliação se apoia em dois eixos complementares. O primeiro é o controle dos sintomas atuais, que envolve frequência de sintomas diurnos, despertares noturnos, limitação de atividades e uso de medicação de alívio. Esse costuma ser o ponto inicial da consulta.
O segundo eixo é o risco futuro. Entram aqui exacerbações prévias, necessidade de corticoide sistêmico, declínio da função pulmonar e sinais de instabilidade clínica recente. Mesmo na presença de poucos sintomas, esse risco pode permanecer elevado.
O GINA reforça que esses dois componentes devem ser analisados de forma integrada. Um paciente com sintomas leves, mas com exacerbações recentes ou baixa adesão ao tratamento, não pode ser interpretado da mesma forma que outro verdadeiramente estável. Essa leitura conjunta sustenta a classificação do controle e orienta decisões mais seguras ao longo do acompanhamento.
O que o GINA 2025 mudou na classificação do controle da asma
Para quem já utiliza o GINA na prática, a estrutura geral da classificação continua familiar. O modelo não mudou. O que muda em 2025 é a forma como essa avaliação deve ser interpretada no dia a dia clínico.
O GINA 2025 deixa mais claro que o controle da asma não deve ser entendido como uma soma automática de sintomas. A ausência de queixas em uma consulta pontual, por si só, não garante controle sustentado.
Outro ajuste importante é a ênfase no caráter longitudinal da avaliação. A classificação passa a considerar com mais peso o comportamento da asma ao longo do tempo, incluindo exacerbações recentes, necessidade de corticoide sistêmico e instabilidade clínica.
Na prática, isso ajuda a evitar um erro comum: classificar como controlado um paciente com poucas queixas recentes, mas com risco elevado de novas exacerbações. O GINA 2025 também reforça o papel de fatores frequentemente subestimados, como adesão irregular, técnica inalatória inadequada e exposição persistente a gatilhos.
Avaliação dos sintomas atuais no controle da asma
Os sintomas atuais continuam sendo o ponto de partida da avaliação. O GINA considera principalmente sintomas diurnos, despertares noturnos, limitação de atividades e necessidade de medicação de alívio.
A leitura deve ser objetiva. Sintomas frequentes, mesmo que leves, sugerem perda de controle. Por outro lado, a ausência de queixas em uma consulta isolada não garante estabilidade sustentada.
É importante contextualizar o relato do paciente. Redução espontânea de atividades, adaptação ao desconforto ou subestimação de sintomas podem mascarar um controle inadequado. Por isso, a avaliação precisa ir além da resposta imediata à pergunta “como você está se sentindo”.
Risco futuro na classificação do controle da asma
O risco futuro é o componente que mais diferencia uma avaliação superficial de uma leitura clínica consistente. Ele identifica pacientes que, mesmo com poucos sintomas, mantêm maior chance de exacerbações e piora ao longo do tempo.
Entram nessa análise o histórico de exacerbações, a necessidade de corticoide sistêmico, a função pulmonar e a presença de fatores de risco persistentes. Adesão ao tratamento e técnica inalatória também têm papel central nesse eixo.
O GINA 2025 reforça que ignorar o risco futuro pode gerar uma falsa sensação de controle. Incorporar esse olhar ao seguimento permite antecipar problemas e ajustar o manejo antes que novas exacerbações ocorram.
Como o GINA 2025 classifica o controle da asma na prática
A classificação do controle da asma no GINA 2025 continua organizada em três categorias. O que muda não é o rótulo, mas a forma de chegar a ele.
A asma é considerada bem controlada quando os sintomas são ausentes ou pouco frequentes, não há limitação de atividades, o uso de medicação de alívio é ocasional e o risco futuro é baixo.
A asma parcialmente controlada ocorre quando um ou mais desses critérios não estão plenamente atendidos. Aqui, é fundamental distinguir se a perda de controle é pontual ou se reflete instabilidade clínica persistente.
Já a asma não controlada envolve sintomas frequentes, impacto funcional relevante e, muitas vezes, histórico recente de exacerbações ou necessidade de corticoide sistêmico. O GINA 2025 reforça que essa classificação deve ser interpretada de forma integrada, sempre considerando o contexto clínico e a evolução da doença.
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Na prática assistencial, avaliar corretamente o controle da asma exige mais do que lembrar critérios isolados. Erros de interpretação são comuns quando a análise se limita aos sintomas mais recentes ou ignora fatores que interferem diretamente na estabilidade da doença.
Entre os equívocos frequentes estão confundir controle com intensidade do tratamento e superestimar avaliações pontuais. Subvalorizar adesão e técnica inalatória também contribui para classificações imprecisas e decisões terapêuticas inadequadas.
Nesse cenário, o Afya Whitebook importa porque ajuda a estruturar o raciocínio clínico no momento da decisão. A plataforma funciona como um ponto de referência para organizar critérios de avaliação do controle da asma e conectar esse raciocínio a conteúdos práticos sobre manejo farmacológico, técnica inalatória e abordagem de exacerbações.
Ao centralizar essas informações em um único ambiente, o Afya Whitebook reduz ruído na avaliação do controle e apoia escolhas mais consistentes ao longo do seguimento do paciente, mesmo diante de cenários clínicos mais complexos ou ambíguos.
Perguntas frequentes sobre a classificação do controle da asma segundo o GINA 2025
Na prática clínica, a classificação do controle da asma costuma gerar dúvidas menos conceituais e mais interpretativas. As perguntas abaixo refletem situações comuns de ambulatório e seguimento, especialmente após as atualizações propostas pelo GINA 2025.
Controle da asma segundo o GINA 2025: o que mudou?
O Global Initiative for Asthma 2025 não altera a estrutura básica da classificação do controle, mas refina sua aplicação. A principal mudança está na ênfase maior ao risco futuro e na necessidade de uma leitura longitudinal, evitando avaliações baseadas apenas em sintomas recentes.
Qual a diferença entre controle da asma e gravidade da asma?
Controle da asma se refere ao estado atual da doença e ao risco de perda de estabilidade ao longo do tempo. Gravidade, por outro lado, está relacionada à intensidade do tratamento necessário para manter esse controle. Um paciente pode ter asma grave bem controlada ou asma leve mal controlada, e essa distinção é central para decisões terapêuticas adequadas.
Como interpretar controle da asma em pacientes com poucos sintomas, mas alto risco de exacerbação?
Esses pacientes não devem ser classificados automaticamente como bem controlados. O GINA 2025 reforça que exacerbações recentes, necessidade de corticoide sistêmico ou outros marcadores de risco indicam instabilidade, mesmo na ausência de sintomas frequentes. O controle precisa refletir risco futuro, não apenas conforto atual.
Exacerbações prévias isoladas devem reclassificar o controle da asma?
Uma exacerbação isolada deve ser analisada no contexto clínico. O ponto central não é o evento em si, mas o padrão. Exacerbações recorrentes, recentes ou associadas a fatores de risco persistentes pesam mais na reclassificação do controle do que episódios pontuais e bem explicados.
Qual o peso da função pulmonar na classificação do controle da asma segundo o GINA 2025?
A função pulmonar não substitui a avaliação clínica, mas contribui para a estimativa de risco futuro. Queda persistente ou declínio progressivo ao longo do acompanhamento indicam maior chance de exacerbações e perda de controle, mesmo quando os sintomas estão pouco expressivos.
Com que frequência o controle da asma deve ser reavaliado no acompanhamento clínico?
O controle da asma deve ser reavaliado periodicamente e sempre após exacerbações ou mudanças terapêuticas. Avaliações regulares ajudam a identificar instabilidade precoce, ajustar o manejo de forma oportuna e reduzir o risco de desfechos adversos ao longo do seguimento.