A canelite costuma aparecer em quem aumenta o ritmo de treinos, volta a correr depois de um tempo parado ou encara longas jornadas em pé. A dor na face medial da tíbia surge de forma persistente e atrapalha desde atividades simples até o desempenho de atletas.
No Brasil, análises nacionais apontam prevalência entre 13% e 20% da Síndrome do Estresse Tibial Medial em praticantes de corrida, o que reforça a frequência do quadro na prática clínica.
Apesar de parecer simples à primeira vista, exige atenção para não ser confundido com fraturas por estresse ou outras causas de dor tibial.
Antes de entrar no diagnóstico e no tratamento, vale entender por que essa condição é tão frequente e como pequenas decisões mudam a evolução do paciente. A seguir, você encontra um guia direto para aplicar na prática.
O que é canelite e como se manifesta?
A canelite, ou Síndrome do Estresse Tibial Medial, é uma das causas mais comuns de dor na perna em pessoas expostas a impacto repetitivo, especialmente corredores.
O quadro se manifesta com dor ao longo da borda medial da tíbia, resultado da inflamação nas origens tendoperiosteais dos músculos tibial posterior e solear, além das inserções fasciais na porção posteromedial da tíbia.
Um sinal típico é a melhora da dor depois do aquecimento, seguida de piora no período da manhã. Esse padrão ajuda a diferenciar a canelite de outras causas importantes de dor tibial, como fraturas por estresse.
Na rotina clínica, reconhecer essa diferença faz toda a diferença. O manejo costuma começar com repouso modificado, às vezes com apoio de imobilização, para evitar a progressão do quadro. Entender esses pontos torna o atendimento mais seguro e evita que o paciente siga treinando ou caminhando com uma lesão que pode se complicar.
Principais sinais e sintomas da canelite
O quadro costuma aparecer com uma dor incômoda na borda medial da tíbia. Ela tende a melhorar após o aquecimento, mas volta a incomodar com mais força pela manhã. Esse comportamento já direciona boa parte da avaliação clínica.
A inflamação acontece nas origens tendoperiosteais do tibial posterior e do solear, além das inserções fasciais na borda posteromedial da tíbia. O paciente descreve sensibilidade na região, mas sem o ponto ósseo característico das fraturas por estresse. Essa diferença é útil para evitar confusões no atendimento inicial.
A canelite aparece com mais frequência em quem pratica atividades de impacto repetitivo, como corrida ou treinos com mudanças rápidas de ritmo. Reconhecer essa relação com a carga de treino também ajuda a distinguir o quadro de outras causas de dor tibial e orienta as próximas etapas do manejo.
Diagnóstico clínico da canelite e quando pedir exames
A canelite é, na maioria das vezes, um diagnóstico essencialmente clínico. A combinação de dor na borda medial da tíbia, relação clara com impacto repetitivo e melhora após o aquecimento já costuma ser suficiente para orientar a conduta inicial. A palpação da região, a avaliação da mecânica de corrida e a investigação de sobrecargas ajudam a fechar o quadro sem necessidade de exames.
Quando algo foge do padrão, vale ampliar a investigação. A radiografia pode ser útil para afastar fratura por estresse ou outras alterações ósseas, principalmente quando há sensibilidade pontual no osso ou dor persistente mesmo após redução da carga.
Em situações duvidosas, ultrassonografia e ressonância magnética entram como apoio. Embora não façam parte da rotina, podem revelar inflamação em estruturas tendíneas, acúmulo de líquido ou sinais que orientem outros diagnósticos diferenciais.
Exames laboratoriais ou testes de rotina não costumam ajudar diretamente no diagnóstico da canelite, mas podem ser solicitados caso haja suspeita de outras causas de dor na perna, como neuropatias.
Na prática, os exames de imagem ficam reservados aos casos que não seguem a evolução esperada ou quando existe dúvida diagnóstica real. Para a grande maioria dos pacientes, a avaliação clínica bem feita é o suficiente para seguir com segurança para o tratamento.
Tratamento da canelite baseado em evidências
O tratamento começa com redução da carga. Repouso modificado prolongado, com ou sem imobilização, é recomendado nos quadros mais dolorosos.
Entre as medidas não farmacológicas, cinesioterapia ganha destaque. Fortalecimento do tibial posterior, trabalho global do membro inferior e treinamento proprioceptivo são fundamentais. O uso de gelo pode ajudar no controle da dor, mesmo com evidências limitadas.
Palmilhas podem ser indicadas quando há queda do arco longitudinal medial. Órteses também são aplicáveis, sempre com aumento progressivo do tempo de uso para evitar desconforto.
A conduta farmacológica envolve analgésicos e AINEs utilizados de forma pontual. O uso prolongado deve ser evitado devido ao risco de prejudicar a cicatrização.
O tratamento cirúrgico é reservado a casos refratários, principalmente quando há falha do manejo conservador ou fatores biomecânicos estruturais importantes. Nesses cenários, pode ser necessário encaminhar para avaliação ortopédica.
Prevenção que realmente funciona
A prevenção da canelite depende de controle de carga e de biomecânica adequada. Progressões de treino precisam ser graduais, evitando saltos bruscos de volume ou intensidade. Corredores que retornam após longos períodos parados são grupo clássico de risco, e esse ponto merece atenção na consulta.
A avaliação do calçado também importa. Solados muito gastos, pouca absorção de impacto ou escolhas inadequadas ao tipo de pisada podem favorecer a sobrecarga tibial.
Na prática clínica, orientar fortalecimento regular de panturrilha, exercícios de estabilidade de tornozelo e quadril, além de alongamentos específicos, reduz recorrência. Para pacientes com episódios repetidos, vale revisar técnica de corrida ou sugerir acompanhamento com fisioterapeuta especializado.
Como o Afya Whitebook apoia o atendimento da canelite
O Afya Whitebook facilita decisões rápidas em um quadro que exige boa diferenciação clínica e manejo estruturado. Ele organiza as recomendações de forma objetiva, desde o uso de repouso modificado com ou sem imobilização até a seleção de medidas não farmacológicas prioritárias.
O conteúdo também reforça pontos essenciais da reabilitação, como o fortalecimento do tibial posterior, o trabalho global do membro inferior e o treinamento proprioceptivo em pacientes com déficit. Além disso, traz orientações práticas sobre o uso de gelo para alívio da dor, sobre o benefício de palmilhas em casos de queda do arco longitudinal medial e sobre o uso intermitente de órteses com progressão gradual do tempo de uso.
Quando o médico considera medidas farmacológicas, o Afya Whitebook lembra do uso pontual de analgésicos e AINEs, além do cuidado com o uso prolongado que pode prejudicar a cicatrização. E, nos casos refratários, o material orienta quando pensar em encaminhamento para o ortopedista e quando avaliar opções como debridamento tendíneo ou osteotomia corretiva.
Na prática, esse conjunto de informações condensadas em um só lugar ajuda o profissional a revisar condutas rapidamente, comparar alternativas e decidir o melhor caminho para cada paciente sem perder tempo.
Conclusão
A canelite é comum, mas só parece simples. O diagnóstico clínico bem feito evita confusão com quadros mais graves e orienta um manejo que realmente resolve. O ajuste de carga, o olhar biomecânico e a reabilitação direcionada são pilares do tratamento. Para estudantes e profissionais, entender esses pontos garante mais segurança nas condutas e melhora o desfecho dos pacientes.