A suspeita de candidemia costuma surgir durante a evolução de pacientes críticos com sepse persistente ou deterioração clínica apesar da antibioticoterapia adequada. Nesses casos, febre contínua, instabilidade hemodinâmica ou piora orgânica levantam a possibilidade de infecção fúngica invasiva.
A confirmação microbiológica raramente acompanha a urgência do quadro. Hemoculturas para Candida podem levar dias para positivar, e atrasos no início do tratamento antifúngico estão associados a maior mortalidade. Por outro lado, iniciar antifúngicos de forma indiscriminada expõe o paciente a toxicidade, favorece resistência e amplia custos assistenciais.
Alguns modelos clínicos foram desenvolvidos para identificar pacientes com maior probabilidade de candidemia. Entre eles está o Escore de Sevilla, que reúne fatores de risco conhecidos para estimar a probabilidade de infecção invasiva por Candida.
Entender sua estrutura e interpretação ajuda a contextualizar essa hipótese diagnóstica em pacientes críticos com sepse de origem ainda não definida.
O que é o Escore de Sevilla
O Escore de Sevilla é um modelo clínico criado para estimar o risco de candidemia em pacientes hospitalizados, particularmente em unidades de terapia intensiva. A pontuação resulta da soma de fatores associados à infecção fúngica invasiva, permitindo classificar pacientes em diferentes níveis de risco.
O nome deriva da cidade de Sevilha (Sevilla), na Espanha, onde o modelo foi desenvolvido e validado em pacientes críticos com suspeita de infecção sistêmica. Seu objetivo é identificar, dentro de um grupo de pacientes com sepse ou deterioração clínica, aqueles em que a hipótese de candidemia merece maior consideração.
Qual é a lógica do Escore de Sevilla?
O diagnóstico precoce de candidemia é desafiador por três motivos principais:
- hemoculturas podem demorar dias para positivar
- os sinais clínicos são inespecíficos
- atrasos no tratamento antifúngico aumentam mortalidade
Diante desse cenário, o escore reúne fatores epidemiológicos e clínicos associados à candidemia invasiva. A presença combinada desses elementos aumenta a probabilidade de que a infecção fúngica esteja presente.
Principais fatores considerados no escore
Embora existam pequenas variações entre versões, o Escore de Sevilla inclui fatores frequentemente presentes em pacientes com candidemia invasiva, como:
- colonização por Candida em múltiplos sítios
- uso recente de antibióticos de amplo espectro
- nutrição parenteral total
- cirurgia abdominal recente
- presença de cateter venoso central
- sepse grave ou choque séptico
Cada variável recebe uma pontuação específica. O valor final corresponde à soma dos pontos atribuídos aos fatores presentes no paciente.
Como interpretar o Escore de Sevilla
A pontuação total posiciona o paciente em diferentes faixas de probabilidade de candidemia.
De forma geral:
- < 8 pontos: baixo risco
- 8–12 pontos: risco intermediário
- > 12 pontos: alto risco
Pontuações mais baixas tornam a candidemia menos provável, enquanto valores mais elevados indicam maior probabilidade de infecção invasiva. Uma característica importante do escore é seu alto valor preditivo negativo. Em pacientes com pontuações baixas, a candidemia torna- se pouco provável dentro do contexto clínico avaliado.
Por outro lado, pontuações elevadas não confirmam o diagnóstico. Elas indicam um cenário clínico no qual a hipótese de candidemia deve ser considerada com maior atenção.
Como utilizar o Escore de Sevilla na avaliação do paciente crítico
O escore foi desenvolvido para pacientes internados em UTI com sepse, sepse grave ou choque séptico. Sendo assim, ele permite identificar pacientes em que a probabilidade de candidemia é baixa e aqueles em que essa possibilidade ganha maior peso dentro do diagnóstico diferencial.
Mesmo quando o escore sugere risco elevado, o diagnóstico definitivo continua dependendo da investigação microbiológica. Hemoculturas, culturas de sítios suspeitos e biomarcadores fúngicos permanecem centrais na avaliação.
Assim, o Escore de Sevilla funciona como um instrumento de estratificação dentro de um conjunto maior de informações clínicas e laboratoriais, e não como critério isolado para definir diagnóstico ou tratamento.
Escore de Sevilla no Afya Whitebook
O cálculo do Escore de Sevilla exige reunir diversos dados clínicos do paciente internado em UTI e aplicar a pontuação correspondente a cada variável do modelo. Em situações de sepse ou deterioração clínica, consultar todos esses critérios e realizar a soma manual pode tornar a aplicação do escore menos ágil.
No Afya Whitebook, o Escore de Sevilla está disponível em formato de calculadora clínica integrada. A interface reúne todos os critérios do escore em um único painel. O profissional seleciona apenas as condições presentes no paciente, como tempo de internação, gravidade do quadro séptico, presença de dispositivos invasivos ou exposições terapêuticas relevantes, e o sistema realiza automaticamente a soma da pontuação.
O resultado aparece imediatamente na tela, já acompanhado da classificação de risco correspondente. Isso permite verificar rapidamente como o conjunto de fatores presentes naquele paciente se posiciona dentro do escore.
Ao centralizar os critérios e automatizar o cálculo, a ferramenta evita consultas dispersas às tabelas do escore e reduz o tempo necessário para obter a pontuação final durante a avaliação do paciente crítico.
Acesse o Escore de Sevilla no Afya Whitebook e utilize a calculadora para calcular a pontuação diretamente na plataforma.