A avaliação da dor torácica na emergência exige identificar rapidamente quais pacientes apresentam baixo risco e quais podem evoluir com eventos cardiovasculares maiores nas semanas seguintes. Embora muitos quadros se revelem benignos após a investigação inicial, uma parcela dos pacientes evolui com infarto, necessidade de revascularização ou morte.
Ferramentas de estratificação ajudam a enquadrar o risco de evento coronariano ainda nas primeiras etapas da avaliação. Entre elas, o Escore HEART consolidou- se como uma das abordagens mais utilizadas na emergência.
O escore reúne cinco informações disponíveis no atendimento inicial: história clínica, eletrocardiograma, idade, fatores de risco cardiovasculares e níveis de troponina. A partir desses elementos, gera uma estimativa de risco nas semanas subsequentes ao episódio de dor torácica.
A seguir, veja como calcular o Escore HEART, como interpretar sua pontuação e onde acessá-lo rapidamente no Afya Whitebook.
O que é o Escore HEART?
Eventos cardiovasculares maiores, frequentemente descritos na literatura como MACE (Major Adverse Cardiac Events), incluem infarto agudo do miocárdio, necessidade de revascularização coronariana e morte por causa cardíaca.
Em pacientes avaliados por dor torácica na emergência, a probabilidade desses desfechos nas semanas seguintes orienta a intensidade da investigação e o nível de vigilância necessário.
O Escore HEART foi desenvolvido para estimar esse risco a partir de informações disponíveis já no atendimento inicial. A ferramenta reúne dados clínicos, eletrocardiográficos e laboratoriais em uma pontuação simples que permite classificar pacientes em diferentes faixas de risco.
O nome HEART corresponde aos cinco componentes avaliados no cálculo: história clínica, eletrocardiograma, idade, fatores de risco cardiovasculares e níveis de troponina. Cada critério recebe pontuação de 0 a 2 pontos, resultando em um escore total que varia de 0 a 10.
Como calcular o Escore HEART?
O cálculo do escore considera cinco dimensões avaliadas durante a investigação inicial da dor torácica.
História clínica
Avalia-se o grau de suspeita de síndrome coronariana aguda. Histórias altamente sugestivas recebem 2 pontos, apresentações com suspeita moderada recebem 1 ponto e quadros pouco sugestivos recebem 0 ponto.
Eletrocardiograma
A presença de infradesnivelamento significativo do segmento ST soma 2 pontos. Alterações inespecíficas de repolarização recebem 1 ponto, enquanto um ECG sem alterações recebe 0 ponto.
Idade
Pacientes com 65 anos ou mais recebem 2 pontos. Entre 45 e 65 anos recebem 1 ponto, e menores de 45 anos recebem 0 ponto.
Fatores de risco cardiovasculares
São considerados hipercolesterolemia, hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo, história familiar positiva para doença aterosclerótica e obesidade (IMC > 30). A presença de três ou mais fatores de risco, ou doença aterosclerótica conhecida, soma 2 pontos. Um ou dois fatores somam 1 ponto. Na ausência de fatores conhecidos, atribui-se 0 ponto.
Troponina
Valores iguais ou superiores a três vezes o limite superior da normalidade recebem 2 pontos. Resultados entre uma e três vezes o limite normal recebem 1 ponto. Valores dentro da faixa de referência recebem 0 ponto.
A soma desses componentes gera uma pontuação total de 0 a 10 pontos, utilizada para estratificar o risco de eventos cardiovasculares maiores nas semanas seguintes ao episódio de dor torácica.
Como interpretar o Escore HEART na prática clínica
Após o cálculo, a pontuação total permite classificar pacientes com dor torácica em três faixas de risco para eventos cardiovasculares maiores.
Baixo risco (0–3 pontos)
Associado a aproximadamente 0,9% a 1,7% de eventos cardiovasculares maiores. Em muitos casos, esses pacientes podem ser considerados para alta com seguimento ambulatorial, desde que o contexto clínico seja compatível.
Risco moderado (4–6 pontos)
Relacionado a uma probabilidade de 12% a 16,6% de eventos. Nessa faixa, costuma- se considerar observação clínica, monitorização e investigação adicional.
Alto risco (≥7 pontos)
Associado a risco de 50% a 65% de eventos cardiovasculares maiores, o que geralmente indica necessidade de avaliação cardiológica mais intensiva e manejo hospitalar.
Calculadora do Escore HEART no Afya Whitebook
Embora utilize apenas cinco variáveis, o cálculo manual do Escore HEART exige consultar diferentes faixas de pontuação e integrar dados clínicos, eletrocardiográficos e laboratoriais obtidos durante a avaliação da dor torácica.
No Afya Whitebook, a calculadora do Escore HEART reúne todos os critérios do escore em uma única interface. O profissional seleciona os achados correspondentes à história clínica, ao eletrocardiograma, à idade, aos fatores de risco e ao valor da troponina, e o sistema calcula automaticamente a pontuação total.
Além do valor final, a ferramenta apresenta a classificação de risco correspondente, permitindo visualizar rapidamente a faixa de risco associada ao paciente avaliado.
O Escore HEART tem uma promessa muito concreta: ajudar a decidir quem pode ter alta e quem precisa continuar investigação. Se você ainda não utiliza a ferramenta, vale conhecê-la no Afya Whitebook e ter o Escore HEART acessível em segundos durante a avaliação da dor torácica na emergência.