A doença hemorroidária é frequente, mas sintomas como sangramento, dor e prurido também podem ocorrer em fissuras, abscessos, doenças inflamatórias e neoplasias.
Por isso, o diagnóstico não deve ser presumido apenas pelo relato do paciente. A avaliação deve identificar o tipo de hemorroida, a presença de trombose ou prolapso e os achados que indiquem investigação de outras causas.
Como avaliar o paciente?
A anamnese deve caracterizar sangramento, dor, prolapso, prurido, secreção, hábito intestinal e sintomas abdominais. Constipação, esforço evacuatório e tempo prolongado no vaso sanitário podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento dos sintomas.
O exame pode incluir:
- Inspeção da região anal;
- Toque retal;
- Anuscopia, principalmente para avaliar hemorroidas internas;
- Exames complementares quando houver suspeita de outro diagnóstico.
Hemorroidas internas costumam provocar sangramento indolor e prolapso. Dor anal intensa sugere principalmente trombose hemorroidária externa, fissura anal ou abscesso.
A ausência de trombose não exclui abscesso. Dor contínua, edema, febre ou comprometimento sistêmico exigem avaliação específica dessa possibilidade.
Como classificar as hemorroidas internas?
A classificação de Goligher considera o grau de prolapso:
- Grau I: sem prolapso;
- Grau II: prolapso durante o esforço, com redução espontânea;
- Grau III: prolapso que exige redução manual;
- Grau IV: prolapso permanente e irredutível.
A classificação ajuda a selecionar o tratamento, mas sintomas, presença de componente externo e impacto sobre a qualidade de vida também devem ser considerados.
Há sinais de gravidade ou fatores de risco?
Sangramento retal não deve ser automaticamente atribuído à doença hemorroidária, mesmo quando existem hemorroidas no exame.
Investigação adicional deve ser considerada diante de:
- Sangramento volumoso ou persistente;
- Instabilidade hemodinâmica;
- Anemia ferropriva;
- Perda de peso não intencional;
- Mudança recente do hábito intestinal;
- Dor ou distensão abdominal;
- História familiar de câncer colorretal;
- Massa ou lesão atípica;
- Febre ou suspeita de abscesso;
- Persistência do sangramento após tratamento adequado.
Essas situações podem exigir hemograma, colonoscopia ou outros exames conforme a hipótese clínica.
É necessário solicitar colonoscopia?
Não rotineiramente. A colonoscopia deve ser indicada de acordo com a idade, o rastreamento do câncer colorretal, os fatores de risco e os sintomas associados.
Ela deve ser considerada quando não há uma fonte anorretal evidente para o sangramento, quando existem sinais de alarme ou quando o sangramento persiste após o tratamento.
A ausência de hemorroidas no exame não determina, isoladamente, a realização imediata de colonoscopia. A investigação deve ser individualizada.
Como organizar o tratamento?
Medidas alimentares e comportamentais são a primeira linha na maioria dos casos:
- Aumentar a ingestão de fibras;
- Manter hidratação adequada;
- Tratar constipação ou diarreia;
- Evitar esforço evacuatório;
- Reduzir o tempo no vaso sanitário.
Tratamentos tópicos podem proporcionar alívio temporário, mas o uso prolongado, principalmente de produtos com corticosteroides ou anestésicos, deve ser evitado.
Hemorroidas internas graus I e II e alguns casos de grau III que persistem apesar das medidas iniciais podem ser tratados por procedimentos ambulatoriais. A ligadura elástica é considerada a opção mais eficaz entre eles.
Cirurgia pode ser necessária nos graus III ou IV sintomáticos, na doença combinada interna e externa ou na falha dos tratamentos menos invasivos.
Como abordar a trombose hemorroidária externa?
A escolha depende da intensidade da dor, do tempo de evolução e das condições do paciente.
O tratamento conservador inclui analgesia, medidas locais e regularização do hábito intestinal. Em pacientes selecionados com dor intensa e início recente, a excisão pode proporcionar alívio mais rápido e reduzir recorrências.
A decisão deve ser individualizada e realizada por profissional capacitado.
Quando reavaliar ou mudar a conduta?
A reavaliação é indicada quando houver:
- Persistência ou recorrência do sangramento;
- Piora da dor;
- Febre ou secreção;
- Anemia;
- Falha do tratamento conservador;
- Prolapso persistente;
- Recorrência frequente;
- Surgimento de sintomas abdominais;
- Dúvida diagnóstica.
A conduta não muda apenas de acordo com o grau das hemorroidas internas. Evolução clínica, trombose, componente externo e possibilidade de outros diagnósticos também influenciam a decisão.
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