Home / Giro WB / Infecção do trato urinário: quando investigar, tratar ou mudar a abordagem?

Infecção do trato urinário: quando investigar, tratar ou mudar a abordagem?

Índice do conteúdo

Uma paciente apresenta disúria e urgência miccional, mas também relata febre e dor lombar. Ainda é possível conduzir o quadro como cistite ou esses achados indicam uma infecção sistêmica? 

A infecção do trato urinário (ITU) pode permanecer localizada na bexiga ou apresentar acometimento sistêmico. A conduta depende dos sintomas, da estabilidade clínica, dos fatores de risco e da possibilidade de obstrução ou outro foco que exija intervenção. 

Como classificar a ITU? 

A classificação atual da European Association of Urology diferencia: 

  • ITU localizada: sintomas restritos ao trato urinário, como disúria, urgência, polaciúria e desconforto suprapúbico; 
  • ITU sistêmica: sintomas urinários associados a febre, calafrios, dor lombar, hipotensão, taquicardia ou comprometimento do estado geral. 

Pielonefrite, prostatite e urosepse são exemplos de apresentações sistêmicas. Essa diferenciação é mais útil do que considerar toda pielonefrite apenas como uma “cistite complicada”. 

Quais fatores de risco modificam a conduta? 

Tanto a ITU localizada quanto a sistêmica podem apresentar fatores associados a maior risco de falha terapêutica: 

  • Gestação; 
  • Obstrução ou cálculo urinário; 
  • Anomalias anatômicas ou funcionais; 
  • Resíduo urinário elevado; 
  • Disfunção renal; 
  • Imunossupressão; 
  • Fragilidade; 
  • Cateter ou instrumentação urinária; 
  • Uso recente de antibióticos; 
  • Microrganismo resistente previamente identificado; 
  • Internação recente. 

Diabetes bem controlado, isoladamente, não define necessariamente uma infecção complicada. O controle metabólico e as demais condições clínicas devem ser considerados. 

Quais sinais indicam maior gravidade? 

Os principais sinais de alerta incluem: 

  • Hipotensão; 
  • Taquicardia; 
  • Alteração do estado mental; 
  • Oligúria; 
  • Hipoxemia; 
  • Febre persistente ou hipotermia; 
  • Calafrios intensos; 
  • Vômitos e incapacidade de hidratação oral; 
  • Dor lombar importante; 
  • Suspeita de obstrução; 
  • Disfunção orgânica; 
  • Sinais de sepse ou choque séptico. 

Esses pacientes exigem investigação e tratamento rápidos. Internação deve ser considerada quando há instabilidade, sepse, desidratação, intolerância à via oral, gestação com quadro sistêmico ou impossibilidade de acompanhamento seguro. 

A necessidade de terapia intensiva depende da presença de choque, disfunção orgânica e necessidade de suporte avançado, não apenas do diagnóstico de sepse. 

É necessário solicitar exames complementares? 

Em mulheres sem fatores de risco, com sintomas típicos de cistite e sem corrimento vaginal, o diagnóstico pode ser clínico. A fita reagente pode auxiliar quando houver dúvida. 

A urocultura deve ser solicitada em: 

  • Suspeita de ITU sistêmica; 
  • Gestação; 
  • Homens; 
  • Sintomas atípicos; 
  • Risco de resistência; 
  • Infecção associada a cateter; 
  • Falha terapêutica; 
  • Recorrência precoce. 

Na ITU sistêmica, também podem ser necessários hemograma, função renal, eletrólitos, lactato e hemoculturas, conforme a gravidade. 

Quando solicitar exames de imagem? 

Exames de imagem não são indicados rotineiramente na cistite típica. 

Ultrassonografia ou tomografia devem ser consideradas quando houver: 

  • Suspeita de obstrução; 
  • História de cálculos; 
  • Disfunção renal; 
  • Dor intensa; 
  • Deterioração clínica; 
  • Persistência da febre após 48 a 72 horas; 
  • Suspeita de abscesso; 
  • Recorrência relacionada a alteração anatômica. 

Na presença de obstrução associada à infecção, a drenagem do trato urinário pode ser uma medida urgente e não deve ser substituída apenas pela troca do antibiótico. 

Bacteriúria assintomática é ITU? 

Não. A presença de bactérias na urina sem sintomas urinários ou sistêmicos não caracteriza uma ITU sintomática. 

Em geral, a bacteriúria assintomática não deve ser rastreada ou tratada. As principais exceções são gestantes e pacientes que serão submetidos a procedimentos urológicos com lesão da mucosa. 

O mesmo princípio se aplica aos pacientes com cateter: bacteriúria é frequente e não confirma infecção na ausência de sintomas compatíveis. 

Como escolher o tratamento? 

A escolha do antimicrobiano deve considerar: 

  • ITU localizada ou sistêmica; 
  • Gravidade; 
  • Função renal; 
  • Gestação; 
  • Alergias; 
  • Culturas anteriores; 
  • Uso recente de antibióticos; 
  • Epidemiologia local. 

Medicamentos adequados para cistite podem não alcançar concentrações suficientes no tecido renal ou prostático. Por isso, nitrofurantoína e fosfomicina não devem ser utilizadas para tratar pielonefrite. 

Nos quadros sistêmicos, recomenda-se coletar urocultura antes do antibiótico sempre que isso não atrasar o tratamento. O esquema deve ser ajustado após o resultado microbiológico. 

Quando reavaliar ou mudar a conduta? 

A reavaliação é necessária diante de: 

  • Piora clínica; 
  • Ausência de melhora em 48 a 72 horas; 
  • Persistência ou recorrência dos sintomas; 
  • Febre ou dor lombar; 
  • Intolerância ao tratamento; 
  • Alteração da função renal; 
  • Identificação de microrganismo resistente; 
  • Suspeita de obstrução ou abscesso. 

Nessas situações, deve-se revisar o diagnóstico, a adesão, o resultado da cultura e a possibilidade de uma complicação que exija exame de imagem ou intervenção urológica. 

Como o Afya Whitebook pode apoiar a decisão? 

O Afya Whitebook pode auxiliar na abordagem da infecção do trato urinário, permitindo consultar critérios diagnósticos, fatores de risco, indicações de exames e opções terapêuticas. 

Com conteúdos organizados em tópicos e fluxogramas, a plataforma facilita a revisão das etapas e ajuda a definir uma conduta individualizada. 

Baixe o Afya Whitebook e veja como o aplicativo pode apoiar decisões clínicas mais rápidas e organizadas. 

Como você avalia este conteúdo?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Índice do conteúdo