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Sulfato Ferroso: o que é, como age e quando é recomendado?

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O sulfato ferroso é um medicamento amplamente utilizado para a prevenção e o tratamento da deficiência de ferro, principal causa de anemia em todo o mundo. Sua administração fornece ferro elementar para o organismo, permitindo a reposição dos estoques corporais e a síntese adequada de hemoglobina. 

Após a absorção intestinal, o ferro é transportado pela transferrina até a medula óssea, onde participa da eritropoiese. Com o tratamento adequado, observa-se inicialmente aumento da contagem de reticulócitos, seguido pela recuperação gradual dos níveis de hemoglobina e da oxigenação tecidual. Entenda melhor as características, indicações e limitações desse medicamento no artigo a seguir. 

O que é o medicamento? 

O sulfato ferroso pertence à classe dos antianêmicos e é uma das principais formas de suplementação oral de ferro disponíveis na prática clínica. 

As apresentações comerciais variam entre comprimidos, soluções orais e xaropes, com diferentes quantidades de ferro elementar. Como a eficácia terapêutica está relacionada à quantidade de ferro elementar administrada, é importante considerar essa informação na prescrição, e não apenas a quantidade total de sulfato ferroso presente na formulação. 

Entre as apresentações mais comuns disponíveis no Brasil estão: 

  • Comprimidos contendo 40 mg, 50 mg ou 60 mg de ferro elementar; 
  • Soluções orais com diferentes concentrações de ferro elementar por mililitro; 
  • Xaropes destinados principalmente ao uso pediátrico. 

A escolha da formulação deve considerar a faixa etária, a tolerabilidade gastrointestinal, a adesão ao tratamento e a dose necessária para correção da deficiência de ferro. 

Quais são suas indicações de uso? 

O sulfato ferroso está indicado para prevenção e tratamento da deficiência de ferro, incluindo: 

  • Anemia ferropriva; 
  • Deficiência de ferro sem anemia estabelecida; 
  • Profilaxia da deficiência de ferro durante a gestação; 
  • Profilaxia em grupos de maior risco, como lactentes, crianças e adolescentes em fases de crescimento acelerado; 
  • Reposição de ferro após perdas sanguíneas agudas ou crônicas; 
  • Estados de aumento da demanda de ferro, como gravidez e lactação. 

Embora seja frequentemente utilizado em pacientes com anemia no pós-operatório, convalescença ou hipermenorreia, seu uso deve ser direcionado à correção da deficiência de ferro comprovada ou fortemente suspeita. 

E quais são seus cuidados e limitações? 

Antes do início da suplementação, é importante confirmar ou suspeitar fortemente de deficiência de ferro, uma vez que nem toda anemia decorre de carência desse mineral. 

O sulfato ferroso é contraindicado ou deve ser utilizado com cautela nas seguintes situações: 

  • Hipersensibilidade aos componentes da formulação; 
  • Hemocromatose; 
  • Hemossiderose; 
  • Sobrecarga de ferro de qualquer etiologia; 
  • Anemias não relacionadas à deficiência de ferro, como algumas anemias hemolíticas e sideroblásticas; 
  • Pacientes submetidos a transfusões sanguíneas repetidas; 
  • Talassemias com sobrecarga de ferro; 
  • Doença ulcerosa péptica ativa ou outras condições gastrintestinais que possam ser agravadas pelo uso do medicamento. 

Também deve ser utilizado com cautela em pacientes com doenças inflamatórias intestinais, hepatopatias e etilismo crônico. 

Os efeitos adversos mais frequentes são gastrointestinais, incluindo: 

  • Náuseas; 
  • Dor abdominal; 
  • Constipação intestinal; 
  • Diarreia; 
  • Dispepsia; 
  • Escurecimento das fezes. 

Além disso, diversos medicamentos e alimentos podem reduzir a absorção do ferro, incluindo antiácidos, inibidores da bomba de prótons, cálcio, leite, café, chá e alguns cereais. Sempre que possível, recomenda-se administrar o sulfato ferroso longe dessas substâncias. 

Do consultório à prática médica 

Mulher de 32 anos procura atendimento por fadiga progressiva, redução da capacidade para atividades físicas e cefaleia ocasional há cerca de quatro meses. Relata fluxo menstrual intenso desde a adolescência, sem investigação prévia. Ao exame físico, apresenta palidez cutaneomucosa discreta. Os exames laboratoriais demonstram hemoglobina de 9,8 g/dL, volume corpuscular médio de 72 fL, ferritina de 8 ng/mL e saturação de transferrina de 10%. 

Diante do diagnóstico de anemia ferropriva secundária a perdas menstruais crônicas, foi iniciado tratamento com sulfato ferroso oral, associado à orientação para melhorar a adesão ao tratamento e investigação da causa da hipermenorreia.  

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