A Transaminase Oxalacética (TGO), também chamada de AST, é um daqueles exames que caem na rotina do profissional de saúde com frequência, mas a interpretação correta nem sempre é tão automática quanto parece.
Como essa enzima está presente em vários tecidos além do fígado, como coração e músculos esqueléticos, seu aumento pode confundir, principalmente sem o contexto clínico adequado.
Saber quando a TGO realmente indica lesão hepática e quando ela aponta para outros quadros é o tipo de conhecimento que diferencia a interpretação rasa da tomada de decisão segura. Neste guia, você vai entender como analisar a TGO com mais confiança e como o Afya Whitebook pode te apoiar nesse processo.
O que é a TGO (AST) e por que ela se altera
A Transaminase Oxalacética, também chamada de AST ou Aspartato Aminotransferase, é uma enzima intracelular que participa do metabolismo de aminoácidos. Ela é encontrada principalmente no fígado, coração e musculatura esquelética, mas também aparece em menor proporção em outros órgãos como rins, cérebro e pulmões.
Ela está presente tanto no citoplasma quanto nas mitocôndrias das células, e seus níveis séricos sobem em resposta a lesões celulares, como ocorre na hepatite ou em traumas musculares.
Valores normais e variações esperadas
Os valores de referência mudam conforme idade, sexo e laboratório. Como base geral:
- Recém-nascidos: 25-75 U/
- Crianças: 15-60 U/
- Adultos:
- Homens: 20-40 U/L
- Mulheres: 15-30 U/L
Fatores como atividade física intensa, uso de medicamentos ou mesmo uma coleta hemolisada podem alterar os níveis. Além disso, baixos níveis de vitamina B6 ou insuficiência renal podem falsear resultados.
TGO aumentada: principais causas e o que avaliar primeiro
Ver a TGO aumentada no exame pode levantar muitas hipóteses e é justamente aí que entra o raciocínio clínico. Essa enzima pode subir por motivos hepáticos, musculares ou até cardiovasculares. Por isso, o número por si só não fecha o diagnóstico.
Nos quadros hepáticos, as causas mais comuns incluem:
- Hepatite alcoólica, em que geralmente a TGO fica mais alta que a TGP, muitas vezes numa proporção maior que 2 para 1
- Hepatites virais agudas ou crônicas, onde o padrão costuma ser o inverso, com TGP predominando
- Cirrose, esteato-hepatite, isquemia hepática e intoxicação por paracetamol
- Casos como a doença de Wilson e neoplasias hepáticas também devem entrar no radar.
Já fora do fígado, algumas condições também podem elevar a TGO:
- Infarto do miocárdio
- Rabdomiólise, traumas musculares e exercícios físicos intensos
- Pancreatite, sepse, mononucleose.
- Uso de medicamentos como AINEs, anticonvulsivantes, esteroides, entre outros.
Por isso, sempre que a TGO vier alterada, é essencial puxar o freio e pensar no conjunto. O exame é só uma peça do quebra-cabeça.
TGO e TGP: por que olhar uma sem a outra não faz sentido
Um dos erros mais comuns na leitura da TGO é ignorar sua “parceira de equipe”, a TGP (ou ALT). As duas enzimas, quando avaliadas em conjunto, dizem muito mais do que isoladas.
Veja algumas combinações que merecem atenção:
- Quando a TGO está mais alta que a TGP, especialmente com proporção acima de 2 para 1, pense em hepatite alcoólic
- Se a TGP predomina, o mais provável é uma hepatite viral ou esteatose hepátic
- E se a TGO estiver elevada sozinha? Pode ser algo muscular, cardíaco ou efeito de medicação
Ou seja, além de olhar os números, é fundamental considerar o cenário: o paciente tem sintomas? Faz uso de alguma medicação? Teve dor muscular recente? Isso tudo muda o peso da interpretação.
Mas calma, a gente sabe que é muito detalhe para pensar e dar conta na hora do atendimento. Mas com o Afya Whitebook ali do lado, você tem esse tipo de informação organizada, confiável e acessível em segundos. Menos insegurança, mais clareza e decisões clínicas feitas com confiança.
Quando a alteração da TGO merece uma investigação mais cuidadosa
Nem todo exame alterado é motivo de preocupação. Mas há situações em que a TGO acende um sinal de alerta.
Fique atento se:
- Os níveis estiverem persistentemente altos, sem causa clar
- A TGO passar de 10 vezes o valor de referênci
- O paciente apresentar icterícia, colúria, astenia ou outros sinais de sofrimento hepátic
- Houver histórico de uso de hepatotóxicos ou doenças hepáticas já conhecidas
Nesses casos, vale repetir o exame, avaliar outras enzimas (como GGT, fosfatase alcalina, bilirrubinas) e considerar exames de imagem ou investigação sorológica, conforme o contexto.
Alterações falsas de TGO: quando o exame “engana”
Alguns fatores podem alterar a TGO sem que isso reflita uma condição clínica real. São os chamados falsos positivos ou negativos.
A TGO pode parecer falsamente alta se a amostra estiver hemolisada, se houver presença de reagentes com amônio ou se o paciente tiver uma condição rara chamada macro-TGO. Já níveis falsamente baixos podem aparecer em pessoas com deficiência de vitamina B6 ou em casos de insuficiência renal
Esses detalhes técnicos nem sempre estão na linha de frente do pensamento clínico, mas são necessários para evitar interpretações erradas.
Interpretar com segurança é interpretar com apoio – conte com o Afya Whitebook
Na prática, principalmente nos plantões e na residência, nem sempre dá tempo de revisar tudo com calma. E é aí que contar com uma fonte confiável, rápida e acessível faz toda a diferença.
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Se ainda não conhece, fica o convite: explorar uma ferramenta que caminha junto com a sua prática. Porque, no fim das contas, interpretar exames como a TGO é parte do aprendizado contínuo que todo profissional enfrenta. E fazer isso com apoio, clareza e confiança faz toda a diferença no cuidado que você entrega.